E vocês? Já passaram por uma relação “não – assumida”? Já tiveram que namorar escondido ou manter o(a) paquera na surdina por alguma razão? O que leva alguém a não revelar publicamente seu par? Vergonha, medo, traição? Isso também rola com amizades? Alguém já teve que omitir ser amigo de alguém publicamente? Por quê?
Até pouco tempo atrás, as paixões governavam a minha vida, e eu deixava que elas fizessem o que bem entendessem comigo. Num momento, parecia que eu ia morrer de tanto amor. No outro, eu estava ocupada pensando na cor de esmalte que queria usar. É, eu tenho a capacidade de concentração de um peixinho de aquário. Uma vez, conheci um cara. Ele namorava, eu também. Mas têm coisas que simplesmente acontecem, e vão arrastando tudo pelo caminho como uma avalanche. A paixão me atropelou feito um trem desgovernado, e quando me dei conta, ficavámos juntos todos os dias. Pra mim era amor. Todos a nossa volta sabiam o que estava acontecendo, por mais que nada fosse dito. Aliás, precisava? Felicidade é algo duro de se esconder.
A situação começou a me incomodar, porque eu o queria só pra mim. Obriguei ele a escolher. Eu sabia que ele ficaria comigo, eu sabia que ele me amava. Eu não contava com uma característica dele que nunca tinha conhecido até então: a covardia. Eu não sou estável. Eu não sou a garota que vai todo domingo à igreja. Eu não sou aquela que vai concordar com tudo o que você diz. Eu não sou aquela que você vai querer levar para apresentar pros seus pais. Então, a escolhida foi a simples camponesa de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha. Pra que se arriscar num namoro novo se você já tinha uma doce garota que te seguiria onde quer que você fosse? Viva a praticidade.
Acabou da forma mais dramática possível. Me despedi do meu querido Romeu com um beijo, na frente da namorada dele. Hoje eu sei que ele ainda pensa em mim. Mas eu cansei de ser Julieta. Dá trabalho. E eu não escolhi a cor do esmalte ainda.
Post publicado no site da Revista Capricho.










