Piorando o que já não era muito bom

Categorias: Desventuras, Drama gal, Mimimi 369 hits
28/06/2010 07:33 865 palavras 6 comentários

Tá perdido? Melhor ler esse post aqui antes de ler o que está escrito a seguir.

Eis que no domingo acordo sentindo dores na panturrilha da perna quebrada. Já tiveram cãimbra na batata da perna? Era uma dor parecidíssima, só que muito mais forte. Acordei a minha mãe chorando (aos gritos, já que ir correndo ao quarto dela estava fora de questão) e pedi o remédio. No caso, tramadol. Agora abro aqui um parênteses pra explicar como eu consegui o tramadol.

Pra quem não conhece, o tramadol é um primo da morfina, classificado como um opióide. É um analgésico poderoso, mas também causa náuseas e sonolência. Por causar dependência, é vendido com receita controlada. Eu quebrei a perna na terça e o que o médico simpaticíssimo do SUS me receitou? Um anti-inflamatório. O troço não fazia nem cócegas na dor que eu sentia. Não sou burra e fui uma aluna excelente de farmacologia (a faculdade de veterinária tá me saindo bastante útil nessa situação hein?), então sabia o que deveria tomar e tinha uma ideia da dose. Consegui a receita do tramadol com amigos e pedi pro meu irmão comprar. Eu estava me dando bem associando o tramadol com o anti-inflamatório, até domingo…

Que foi quando as coisas ficaram realmente feias. Eu tinha episódios de dor pela manhã, mas nada parecido com o que eu tive no domingo. Eu chorava e cerrava os dentes pra não fazer (mais) escândalo. Olha que de acordo com o médico do SUS, minha dor deveria parar sábado, que era quando acabava meu remédio. Jóia né? Pedi o telefone pra minha mãe e liguei correndo pros meus parentes ortopedistas. Por sorte, um tio e um primo meus são. Meu primo disse pra eu ir num hospital porque toda aquela dor não era normal. Mais notícias boas: graças a alguns motivos bem chatinhos, eu poderia desenvolver uma trombose.

Enquanto minha mãe e meu irmão corriam atrás de um ortopedista de plantão aqui na minha cidade, eu tentava ficar imóvel na minha cama. É doloroso quando você não encontra nenhuma posição confortável. Ortopedista? Só na cidade vizinha, Atibaia. Conseguimos que uma tia minha nos levasse até o hospital pra eu me consultar. Fui atendida rapidamente, e logo o médico me colocou numa mesa e retirou a tala da minha perna direita.

“É, tá bem dura.”, foi o que ele falou enquanto apalpava minha panturrilha. Dura, inchada e roxa. Tive ainda mais medo de ter desenvolvido algum problema vascular. O médico ainda não podia descartar trombose, então mandou que eu fizesse um eco doppler, um tipo de ultra-som dos meus vasos sanguíneos da perna direita. Mais uma vez tive sorte, já que o fluxo de sangue estava muito bom e (por enquanto) não comprometia nenhum tecido. O problema maior era o inchaço. Desde terça não houve melhora. Assim, tudo na minha perna direita fica comprimido abaixo do joelho. O fluxo sanguíneo é bom, mas tá sendo dificultado pelo inchaço. E meus nervos tão comprimidos, o que faz com que eu sinta muita dor e dormência na perna ao mesmo tempo. Esquisito, não?

O médico elogiou eu ter feito algo pela minha dor, mas resolveu triplicar a minha dose de tramadol e continuar associando com o anti-inflamatório. E nada de ficar com a perna pra baixo, a não ser que seja estritamente necessário. A chance de eu desenvolver uma trombose ainda é de 50%. :P Ou como ele mesmo disse:
“Você não tem uma trombose. AINDA. Mas vai desenvolver uma se não se cuidar.”
E disse mais. Disse pra eu ficar de olho no inchaço. Caso ele vá além do meu joelho (e comece a pegar algo acima disso), é pra eu correr que já arranjei uma trombose.

Tem mais o detalhe dos efeitos colaterais do tramadol. É maravilhoso que eu não sinta mais nenhuma dor, mas também é horrível ser obrigada a comer quando não se tem fome. O negócio te dá uma ânsia violenta se você estiver de estômago vazio. E ainda te dá sonolência e te deixa grogue. Eu falo enrolado boa parte do tempo. Só não falo enrolado quando estou dormindo. Ao que parece, dormindo eu grito e choro. É, não to sendo uma boa colega de quarto no momento.

Em resumo: estou bem. Tive que me adaptar a minha nova rotina. E tenho de agradecer muito aos amigos que me arranjaram a receita do tramadol. Não é a primeira nem a segunda vez que eles salvam a minha pele. E eu sinto que nunca vou agradecê-los o suficiente.








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