Você nunca percebe o quanto é ingrato até que algo aconteça e faça com que você veja as coisas de outro ângulo. E comigo aconteceu uma coisa bastante reveladora, digamos assim. Se essa minha perna quebrada serviu pra algo, foi pra me fazer pensar. No quanto eu reclamo da vida e na sorte que eu tenho. No geral, estou me sentindo uma pessoa bastante ingrata.
Eu estava no telefone com minha tia, reclamando e chorando porque mais uma vez eu via tudo dar errado na minha vida. Em tom de repreensão, ela me contou sobre uma notícia que tinha visto no jornal local. Uma moça da minha idade sofreu um acidente bastante sério e após um ano, estava finalmente conseguindo voltar a falar. “Eu tive muita sorte!”, ela disse. E mais. Minha tia me contou também sobre outro acidente com uma moça da minha idade. Ela foi sepultada esse fim de semana. Dessa vez eu queria dizer que eu tinha mesmo muita sorte, mas só conseguia me sentir uma ingrata maldita.
No momento, dependo de uma cadeira de rodas pra me locomover e preciso de ajuda pra praticamente tudo. Há duas formas de encarar essa situação.
1) Eu posso reclamar porque nada dá certo e só me ferro.
2) Eu posso agradecer a Deus por só precisar da cadeira de rodas por um mês e por ter uma família que me ama e que não poupa esforços pra me ajudar.
Até uns dias atrás, eu estava optando pela primeira opção. Mas já pensou em quantas pessoas estão em situações muito piores do que a minha e mesmo assim não reclamam? Quando eu paro pra pensar, vejo que minhas reclamações são idiotas e sem fundamento. Tenho uma saúde maravilhosa. Estou cercada de pessoas maravilhosas. Cada dia que eu passo na cama não é um dia a mais enfrentando o tédio. É um dia a menos na direção da minha recuperação. E eu só posso ser grata por tudo isso.

588 hits









