Pegando fogo!

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15/01/2010 20:00 685 palavras 27 comentários

Essa história sempre faz sucesso quando algum familiar a conta. E convenhamos, seria bem mais engraçada se eu não estivesse diretamente envolvida. Mas como o legal é ver alguém se fodendo e não um final feliz, aí está.

Eu fui uma criança estranha. Até aí vocês podem olhar e dizer “Ooh, grande novidade!”, mas sério. Eu gostava de colocar roupa em pintinho (filhote de galinha, antes que role alguma piada com camisinha), tinha um vocabulário bastante grande (e cabeludo) e adorava fazer experiências incendiárias. Mas dessa vez tratou-se de um acidente.

represa da fazenda do meu avôEu estava brincando de casinha na fazenda do meu avô. E quando digo fazenda, devo reforçar que é uma fazenda de verdade. A cidade mais próxima está a 70 km, e a energia elétrica disponível era fornecida por uma turbina alimentada pelas águas de uma represa. Pro negócio funcionar direitinho e tal, as águas de uma represa precisam bem… Ficarem represadas! Doh!

OK, parece óbvio, mas não é tão simples. O que mantém essa água toda no lugar é um negócio chamado aterro. No caso, um elevado de terra que fazia a água ficar acumulada na represa e não vazar toda. Acontece que nesse ano havia chovido demais e bem… O aterro pediu arrego e rompeu com a força da água. Ou seja, nada de energia elétrica. Nos virávamos como podíamos com velas e lampiões (sim, um lampião usa camisinha!), mas eles nem eram muito usados porque né, sem energia não tinha muito a se fazer depois que o sol se punha.

Então, eu estava brincando de casinha com a filha de uma das moças que lá trabalhavam. Montamos nossa casinha com colchões e lençóis e ficamos entretidas lendo gibis. Pela ordem natural das coisas, o sol se põe e escurece. Quando me dei conta da escuridão, tive a brilhante ideia de acender uma vela pra que continuássemos lendo. O que aconteceu a seguir foi o óbvio. Tenho os modos delicados de um elefante numa loja de cristais, e uma vela sobre um amontoado de colchões/travesseiros/lençóis não ia parar em pé por muito tempo.

Fogo, muito fogo. Em tudo. No cabelo da minha amiguinha. Quando os adultos que estavam na varanda jogando baralho viram o clarão pela janela e correram pra ajudar, adivinha! Em mais um dos meus acessos de brilhantismo, eu havia trancado a porta. Gostava de privacidade. Não que uma criança de 7 anos de idade precise de privacidade, mas sabe, eu era precoce.

Sorte que eu tinha um pai grande e forte, que arrombou a porta na base da ombrada. Nesse meio tempo, a casinha que havíamos montado com tanto carinho já havia se transformado numa bola de chamas considerável. Eu não me lembro de como eu e minha amiga fomos tiradas de lá dentro, só lembro de nós duas assustadas sentadas perto do fogão de lenha. Os adultos ao redor nos dizendo que iríamos fazer xixi na cama (lembro-me que essa foi a primeira coisa que perguntei a minha amiga na manhã do dia seguinte).

Tirando algumas mechas da amiga, saímos ilesas. Na verdade, fomos as duas dormir de bunda quente. E olha, não estou falando do fogo.

P.S.: Um dos colchões queimados nessa brincadeira ainda está lá na fazenda. Vovó fez uma capa nova pra ele.
P.P.S.: A foto que ilustra o post é a represa lá da fazenda. Aprendi a nadar nesse lugar.
P.P.P.S.: Se você leu até aqui, vai saber que agora estou bem longe e isolada… Na fazenda, pra dizer a verdade. :)







Selo ou não selo

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11/12/2009 03:47 772 palavras 11 comentários

Então que um milhão de anos atrás… Tá, pelo menos uns 9. Eu curtia trocar correspondência com o povo pelo correio. Achava divertido escrever cartas, e tenho um calo portentoso no dedo médio da mão direita por conta disso. No auge, recebia 20 cartas por semana. O carteiro devia me amar, imaginem vocês. Carregar um saco cheio (ui!) de cartas no calor de Corumbá (48°C na sombra. não é piada) não deve ser uma tarefa das mais gostosas.

Exatamente por isso eu já deixava comprada uma cartela de selos de um centavo. Pra quem não sabe, uma carta com até 10 gramas pode ser enviada como carta social. Pra isso, é só escrever “carta social” logo abaixo de onde se cola o selo e prontinho, você manda uma carta de um centavinho só pra qualquer lugar do Brasil. Obviamente eu fazia a festa. Escrevia tudo, selava em casa mesmo e só passava numa caixa de correio pra colocar as cartas. Sem fila, sem chororô. A vida era boa.

Esse ano o espírito natalino baixou em mim, e mesmo tendo cantado bastante, ele ainda não subiu. Então decidi que enviaria cartões pra alguns amigos e familiares. Comprei os cartões, escrevi alguns e hoje fui a agência dos correios comprar minha cartelinha querida de selos de um centavo. Saí de casa debaixo de um sol escaldante, um calor de fritar ovo no asfalto e subi as três ladeiras até chegar ao correio da praça. Sabe como é, toda cidadezinha de interiorrrr tem uma praça no centro com uma igreja no meio. Só que aqui os putos sacanearam e contruíram o centro no ponto mais alto da região. Delícia. Subi até lá e entrei no correio. Peguei minha senha e… 232… Sendo que tá atendendo o número 200… Okey tia, tem ar-condicionado aqui, vou sentar bonitinha e esperar. 32 apitinhos do negócio de senha depois, chega a minha vez. Segue o diálogo insólito.
- Oi, eu queria comprar uma cartela de selos de um centavo.
- Ah, você vai ficar brava comigo… Não posso mais vender cartela de selo de um centavo…
- Ahn… Por que não?
- Porque comerciantes estavam usando… E mimimi o limite é de cinco cartas por dia por pessoa mimimi só trazer aqui cinco cartas por dia que eu selo pra você…
Respira, respira, Mariana. Subir todos os dias, nesse calor da moléstia, trazendo as minhas 5 cartinhas por dia? E esperar nessa fila ridícula? Não consegui disfarçar a minha cara de cu cagado. Ultimamente ando achando difícil ser cordial, porque olha, me considero uma pessoa paciente. Mas estou cansada de ter minha paciência testada.
- Ah, você pode vir aqui que a gente sela a carta rapidinho! Não precisa nem pegar a fila!
Isso ajuda tia. Mas a possibilidade de ter que subir todas essas ladeiras 3 vezes (porque tenho que enviar 12 cartas) ainda me causa calafrios. Sabe, não sou preguiçosa. Me orgulho de caminhar DOZE QUILÔMETROS E MEIO por dia. Mas fazer esse percurso de dia com o sol forte na cabeça não é coisa de gente.

Foi aí que o Espírito Natalino subiu e baixou o Conan em mim. Peguei minha espada, subi no balcão e decaptei meia dúzia de rufiões. Como eles ousam? Senhor, COMO ELES OUSAM? Se eu pudesse resolver tudo da mesma forma como resolvo na minha cabeça… Agradeci e saí do correio. Até pensei em comprar um milkshake pra adoçar a amargura, mas né, eu não gosto de sorvete. Ainda tive que aturar um bizarro me seguindo… Sério. O cara assobiou pra mim e me seguiu por meia Bragança (o que deve dar uns três quarteirões).

Eu só queria mandar cartões de Natal… Só que queria que todos sentissem o júbilo e todas aquelas palavras engraçadas que só ouvimos no fim de ano. Diz aí, você não dá risada da palavra “panetone”? E “rabanada”? Ah, mas você riu de rabanada! Ok, talvez eu esteja com sono. Ou talvez esteja ficando louca de ver o universo me dando pescotapa por conta do meu inferno astral. Meu aniversário é daqui uma semana. Talvez fosse melhor eu me enfiar debaixo da minha cama. E fazer poesias.

P.S.: Comecei a escrever esse post dia 3 de dezembro. Acabei agorinha.
P.P.S.: Continuo relapsa em relação a visitação de blogs alheios. Olha, não tenho visitado nem o meu.







(quase) Morrendo na praia

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15/10/2009 17:41 536 palavras 25 comentários

Sorte! Qual o dia que vocês lembram de ter tido mais sorte na vida??? O que rolou? Por que foi uma questão de sorte?

Natal, praia de Ponta Negra Natal, praia de Ponta Negra

Era um dia lindo, um dos dias mais bonitos que eu vi em Natal. O sol estava forte e eu comecei a ficar preocupada. Achei que tinha perdido a hora porque estava distraída tirando fotos, mas eram 9:40 ainda. Aí eu decidi entrar no mar e sim, foi a coisa mais estúpida que eu poderia ter feito. Estava com a água pela cintura e o mar não parecia estar tão bravo. Maré baixa né?

Eu estava me divertindo com as ondas batendo em mim, tomando alguns mini-caldos. Mal conseguia abrir os olhos por conta da água salgada, mas tava tudo beleza. Foi aí que o mar começou a recuar com vontade, e quem já nadou no mar sabe que isso é sinal de onda grande. Fui puxada pra muito longe de onde eu estava quando vi o paredão de água vindo. Nesse momento, juro, a coisa aconteceu tão devagar que devo ter visto minha vida passar diante dos meus olhos umas cinco vezes. Eu estava vendo tudo em câmera lenta. Mergulhei pra não tomar uma pancada muito grande e acabei sendo arrastada mais pro fundo. Não me pergunte como, leis da física não se aplicam à mim.

Eu não conseguia mais tocar o chão, e quando finalmente consegui, cortei meu pé em rochas afiadas. Nadei com vontade pra perto da praia e não vi outra onda grande vindo. Pensem em coisas que ardem. Nada se compara a engolir água salgada pelo nariz.

Depois dessa onda grande consegui achar areia e caminhei até a praia, com mais ondas tentando me arrastar pro Reino das Águas Claras. Quando finalmente cheguei a praia, saí praticamente me arrastando da água, de quatro. Cuspindo água salgada e com areia até na testa. Quando finalmente consigo me levantar e recuperar a dignidade ajeitando o meu biquini, vejo um travesti de um metro e noventa gritando comigo:
- PROTETOOOOOOOR! VOCÊ TEM QUE USAR PROTETOOOOOR!!!
Enquanto fazia gestos como se passasse algo no corpo. Ele gritava bem pausadamente, como se eu não entendesse a língua dele. Na certa estava achando que eu era uma gringa burra que nunca tinha ido à uma praia tropical. Mas como a intenção era bonitinha, agradeci. Peguei minhas coisas e fui embora da praia.

Vocês podem achar que foi um baita de um azar tudo o que aconteceu. Eu acho que eu tive foi muita sorte. Afinal de contas, se Iemanjá não tivesse devolvido a oferenda, eu não poderia estar aqui contando isso.

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