As pessoas são engraçadas. Elas insistem em me pegar em dias ruins, perguntam o que está errado e eu lhes digo, na maior boa vontade. Depois ainda têm a pachorra de dizer que eu sou uma grossa mal-humorada! O que, eu? Como assim Bial? Eu sou um doce. Acha que fui grossa porque mandei você enfiar a dentadura no cu e rir pro caralho? Que falta de senso de humor, gente.
Devo dizer que meu sono está todo errado, e que dormir mal é a coisa que mais acaba comigo. Mas nem por isso eu saio por aí dizendo impropérios a quem quiser (e a quem não quiser) ouvir. Mamãe me deu educação. Mais do que isso. Mamãe me deu umas belas chineladas e lavou a minha boca com sabão sempre que eu era malvada. Aliás, onde estão os pais oldschool? Hoje em dia é um tal de querer conversar, usar a psicologia infantil… Psicologia por psicologia, sou mais a do Pica-pau. Aí mamães não levantam a mão pros filhinhos, e pior ainda, deixam eles à solta nas internétes. Aí esses filhotinhos de cruz-credo cruzam o meu caminho justamente quando não estou boa. Aí eu sou a malvada, eu sou a grossa, eu que dormi com a bunda descoberta, eu que não tomo meus remédios e etc.
Falar em remédios, vou ser sincera: estou quase com saudades de ficar bêbada. As pessoas ficam tão mais interessantes quando você as vê depois de umas doses de vodka! Isso porque eu já descobri qual o problema. Não sou eu quem tem que mudar. O problema não é comigo. O problema é que há seres humanos demais perto de mim. E eles me sufocam. E como diria um grande amigo meu, eu não faço questão de ser simpática. Por essas e por outras que eu vou voltar a tomar a minha fluoxetina. Não porque me faz bem, mas porque me faz chegar inteira até o final do dia. Considerem isso uma vitória, já que estou cercada de incompetentes.
Acham que eu surtei? Vocês não viram nada.
Agora vou tentar dormir. Eu preciso disso.

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