2006

08

Dec
Tudo errado
Categorias: Desventuras, Drama gal, Rô + Má 1,188 views
Permalink 873 palavras 62 comentários 01:08

Eu sou o tipo de pessoa que adora surpreender, mas odeia ser surpreendida. Por isso resolvi que viria na quarta-feira ao invés de quinta, pra surpreender o Rô. Quinta foi aniversário dele, e eu queria estar aqui logo no quarta. Segunda eu fui na faculdade, fiz minha última prova e depois passei na rodoviária comprar a minha passagem. Quem me conhece sabe que só viajo na poltrona número 7, eu acredito que as coisas saem errado se eu não for nessa poltrona. Pois bem, chego na rodoviária e todos os caixas estão fora do ar. Mau sinal. Okey, compro a passagem amanhã.

Na terça, além de receber a péssima notícia de que eu tinha pego exame de Imunologia, volto na rodoviária e dou de cara com a telinha de erro azul do Ruindows no caixa do Itaú. Deve ser brincadeira. Cadê minha câmera nessas horas? Na quarta, prevenidíssima e com o dinheiro previamente retirado, vou comprar a minha passagem. Na minha frente, uma garota discutia com a atendente, tentando trocar a passagem pela enésima vez. Depois de meia hora ela consegue, e eu vou comprar a minha tão sonhada passagem.

- Poltrona nº 7, por favor.
- Ela acabou de ser comprada. - me responde a atendente.
- Mas como???!!!!!

Então a mulher me mostra aquela telinha onde podemos escolher a passagem: todos os assentos estavam vazios e só a 7 estava ocupada. Não é possível. Mas quem poderia ter sido o lazarento??

- Aquela menina que estava na sua frente acabou de comprar. Eu disse a ela que se não viajar dessa vez, ela perde a passagem.

Meio a contragosto, compro a nº 11. Eu já sabia que alguma coisa não ia dar certo desde o começo. Passagem comprada, corro pra casa arrumar a bagunça na cozinha, tomar banho e arrumar minha mala. Tudo no tempo recorde de uma hora e meia. Banho tomado, mala arrumada, entro no carro e respiro fundo. Tenho tempo de sobra pra chegar na rodoviária e preencher minha passagem sossegada. Quase chegando, ouço um estouro. O pneu do carro furou. Pensar? Quem disse que eu tenho tempo pra pensar? Saio que nem uma louca rua abaixo com a mala e a minha bolsa atrás de um moto-táxi. Mais dez minutos perdidos e finalmente encontro um. Dou ordem pra ele voar pra rodoviária, ou eu ia perder o ônibus. Chego esbaforida, o ônibus já está lá. Preencho a passagem com a letra mais feia que consigo fazer e entro. Salva, graças a Deus.

Sento triste na poltrona 11, sendo que a 07 ainda estava desocupada. Ainda pensei em sentar lá, mas vai que a menina encrencasse comigo? Então fiquei sossegada na 11 mesmo. Nisso entra uma mulher no ônibus que dava dois Jôs Soares, carregando uma criança com cara de birrenta no colo. [hideit]Ah, mas atrás de quem será que ela vai sentar? De mim, claro. [/hideit]Mas mesmo assim dei graças aos céus por estar num ônibus relativamente vazio e a mulher não ter sentado do meu lado. Eu já sentei ao lado de uma mulher com DUAS crianças de colo numa viagem Nova Andradina - São Paulo. Só que em vez do trajeto durar 2:30 (como é Bragança - Osasco), ele dura 12. Pelo menos a criança iria fazer birra atrás de mim, e não na minha cara.

Dez minutos de viagem e eu estou ficando louca. Não sei o que é pior: a mãe berrando, a criança chorando ou os toques enjoados do celular da mãe. Pra que celular tocando no ônibus, meu Deus?? Pra acalmar a criança, claro. Ela achava o barulho bonitinho. ¬¬ Mudo de lugar e rezo pra que os dois - mãe e criança - desapareçam num buraco negro. Infelizmente eles só desceram em São Paulo e eu finalmente respirei aliviada. Mais um pouco até Osasco e eu finalmente poderia pegar o ônibus pra casa do Rô.

Até tu, São Pedro?? Despenca a maior chuva quando piso no terminal rodoviário de Osasco. “Não sou de açúcar, ué”, e saio correndo que nem louca até o ponto de ônibus. De cara o ônibus já está me esperando, e mais ma vez agradeço aos céus. Há, muito cedo pra ficar feliz. O ônibus fica meia hora preso no centrão de Osasco e leva mais uma vida pra chegar no bairro onde o Rô mora. Desço no ponto, tomo mais chuva e finalmente chego são a salvo na casa dele.

Estou molhada, estou irritada, com fome, com sono. Mas apesar disso tudo, ver o seu rosto já fez valer a pena. Eu cheguei hoje pra dizer feliz aniversário mais cedo, e pra dizer o quanto te amo, Rô. E mesmo estando aqui escrevendo tudo isso com você dormindo ao meu lado já me faz incrivelmente feliz. Feliz aniversário, meu amor! E que tudo isso aconteça mais vezes, pra que eu possa ter muitas histórias pra contar aos nossos filhos. Eu amo você!







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