Em 2001, eu tinha 16 anos e meu pai estava com uma estranha doença que parecia não passar de uma simples infecção intestinal. Eu passava por um dos momentos mais difíceis da minha vida, em que eu precisava estudar (estava no 3º ano do colegial) e me auto-afirmar. Estava namorando alguém que minha família não aprovava, e parecia que tudo estava destinado a dar errado.
Nessa época, eu e meu irmão éramos amigos de um garoto um pouco estranho. Ele me disse que eu era uma pessoas especial, mas além disso também era muito aberta a influências negativas. Certa vez, por curiosidade, pedimos pra ele ler a nossa sorte no tarot. Ele atendeu e tirou as cartas pra gente. Viu que a doença do meu pai era muito mais séria e viu ainda que iríamos receber uma quantia considerável em dinheiro. Além disso, viu uma viagem que mudaria muitas coisas. E eu lá sou mulher de acreditar nisso? Ele foi embora e eu fiquei em casa, pensativa. Era dia 10 de setembro.
Na mesma noite, fui dormir no meu quarto. Apaguei a luz e me deitei na cama, sem pensar em mais nada. Não sei porque motivo, não conseguia dormir. Eu estava virada pro lado da parede, e quando me virei de volta, vi alguém usando uma capa com capuz, que cobria a cabeça. Essa “pessoa” estava segurando uma vela, mas assim que o encarei, ele apagou a vela e se desfez no ar, como fumaça. Minha primeira reação foi entrar em choque. Alguns minutos depois, comecei a gritar e a chorar, com medo.
Minha mãe veio me acudir e pela primeira vez em muitos anos eu fui dormir no quarto dos meus pais. Mas eu ainda não conseguia dormir, porque eu o via ali, parado na porta. Agora já não era uma imagem tão certa, mas sim uma sombra gigantesca que ocupada todo o batente. Eu chorava e implorava pra que ele fosse embora. Meu pai me mandou não olhar. Eu sabia que ele via aquilo também, então segui o conselho dele e adormeci.
No dia seguinte, 11 de setembro, eu acordei muito doente. Estava com uma dor de garganta que havia aparecido do nada. Quem me conhece sabe que raramente fico gripada, e não havia motivos pra eu ter adoecido de uma hora pra outra. A dor de garganta foi piorando ao longo do dia, e chegou a um ponto onde eu não comia, não bebia e sequer conseguia engolir a minha saliva. Fiquei assim por cerca de 3 dias, e posso dizer que teria morrido se não tivesse sido levada ao médico no terceiro dia.
Eu queria pensar que tudo isso é obra da minha cabeça adolescente. Deixo aos outros a opção de acreditar ou não. Mas a doença do meu pai era mais séria do que imaginávamos. Recebemos uma quantia considerável do banco. E houve sim uma viagem que mudou muitas coisas. Existem muitas coisas que não conseguimos explicar. E a gente tem medo do que não consegue ver ou não compreende. O ser humano precisa de certezas, precisa acreditar que está no controle das coisas. Mas somos tão pequenos…
E eu tenho medo de escuro até hoje.
Notas
Obrigado pela indicação no Mix, Rithynha! Obrigado pelas palavras, nem sei se meu blog merece tanto.
Obrigado também ao Rafa e ao Quirino pelos awards. E a minha cota de awards está encerrada esse ano…
Estou indo pra Osasco amanhã (hoje), então não esperem muita atenção da minha parte. Estou tão cansada de tudo, só quero ficar com o Rô.
Falando nisso…
Rô, obrigado por esse fim de semana. Não sei o que faria sem você aqui do meu lado, acho que já teria pirado faz muito tempo. Te amo muito, pelo menos pra sempre!






