Antes que vocês pensem besteira, vamos deixar algumas coisas bem claro. A piranha aqui citada é uma piranha PEIXE, certo? Então tá.
No ano de 2000, meu pai estava vistoriando uma propriedade. Não me perguntem pra quê, afinal de contas metade do lugar era alagado e meu pai trabalhava com máquinas de esteira, que até onde eu sei, não flutuam. Pois então, lá estava ele navegando pela área alagada da propriedade, num bote com motor de popa. O lugar em questão ficava no lado boliviano do Pantanal (pois Pantanal não existe só no Brasil), num lugar chamado Laguna Mandioré. Então, lá estava ele navegando sossegado… E eis que o motor do bote pifa. Ótimo, sem barco, no meio do nada. Meu pai não teve remédio senão sair caminhando na parte alagada. No Pantanal, dificilmente alguma área é funda demais pra se andar, e nesse lugar onde meu pai se encontrava a água não passava da cintura. Leve em consideração que meu pai tinha quase 1,90 de altura. Conforme ele andava, ficava cada vez mais difícil de se mover por causa da calça jeans, então ele resolveu tirar e carregar a calça. Lá pelas tantas enquanto ele andava, ele bateu a perna em alguma coisa, e sentiu uma mordida na coxa. A “coisa” em que ele bateu a perna era uma piranha. A sorte dele é que a piranha era uma só, porque piranhas geralmente andam em bando, e teve mais sorte ainda de ter levado uma mordida só. Pra não atrair mais nenhuma, voltou pro barco e teve que sair dali zingando (usando um pedaço de pau que tocava o fundo pra impulsionar) o barco. Depois, foi levado de avião até Campo Grande (capital do Mato Grosso do Sul) onde um tio meu cuidou do ferimento, puxando as bordas e suturando.
Isso foi o que aconteceu de verdade, mais ou menos no meio do ano. No fim do ano, fomos passar as férias na fazenda do meu avô (sul do MS) e uma mulher que trabalhou muito tempo na nossa casa quado morávamos por lá foi nos visitar. Ela estava muito preocupada com a gente, pois nas palavras dela, o boato que corria era o seguinte:
“Um bando de piranhas atacou o seu Euler (meu pai), comeram as duas pernas, os documentos (isso mesmo que vocês estão pensando), ele estava entre a vida e a morte e a dona Rose (minha mãe) não sabia o que fazer.”
Devem imaginar a cara dela quando viu meu pai, andando sobre as duas pernas e muito bem, né? Na verdade, o que aconteceu com ele não foi nada sério, e da mordida mesmo só restou uma cicatriz e uma ligeira depressão na coxa (porque a piranha mordeu com vontade mesmo).
Moral da história:
Pense muito bem antes de passar um boato pra frente.
Mudando de assunto…
Estou passando por um período cheio de recordações. Algumas tristes, outras felizes, mas em sua maioria boas. Eu li um post sobre fofocas no blog da Maren e resolvi aproveitar uma dessas recordações. Esses dias eu estava reclamando com a minha mãe que esse período que a gente morou na Bolívia foi o pior período das nossas vidas. Minha mãe me disse:
“Pode até ser. Mas pelo menos você tem um monte de histórias pra contar.”
Odeio admitir que ela está certa…






