Popnoid.com ♥ Santa is not coming...
2006

18

Aug
Nem tudo é como a gente quer

Ontem foi a cirurgia do Rafiki. Durou do meio-dia até as 15:30 da tarde, saí do hospital exausta e capotei quando cheguei em casa. Eu sabia que seria uma cirurgia complicada, osteossarcoma nunca foi um problema simples. Além de todos os perigos normais de uma cirurgia, ele ainda precisaria de transfusão de sangue porque a contagem de plaquetas dele estava baixa. No geral, eu diria que a cirurgia correu muito bem, até a hora que as veterinárias conseguiram desarticular o membro dele e o retiraram. Foi nessa hora que todo mundo viu o quanto o problema era sério: o tumor já tinha se alastrado pelo coxal (osso da bacia), e estava escuro e poroso em algumas partes. Por aquilo já dava pra saber que mesmo que a cirurgia ainda desse uma sobrevida ao Rafiki, seria muito pouca coisa. Antes dessa descoberta, se ele vivesse um ano já era uma previsão otimista. Depois que viram o estado do osso, seria questão de meses ele morrer.

Depois de três horas e meia de cirurgia, curativo feito e aparelhos desligados, fui buscar alguma coisa pra alguma das veterinárias, não consigo me lembrar o que agora. Quando volto pro centro cirúrgico, mais má notícias. Na hora que a sonda com a qual ele tinha sido entubado foi retirada (pra que ele pudesse começar a respirar sozinho), uma quantidade considerável de sangue saiu junto. Aquilo já podia ser sinal de uma metástase. Quando deitei na minha cama à noite, ainda chorei um bom tempo antes de dormir. Eu lutei por ele! Eu queria que ele vivesse, queria que parasse de sentir dor, queria vê-lo curado.

Cleide e Rafiki, antes da cirurgia.Hoje, depois da minha aula da manhã, passei pelo hospital veterinária pra saber do Rafiki e tive mais uma péssima notícia. Todos os estudantes entram pela porta da sala de técnicas cirúrgicas, que é uma espécie de sala de aula e acomoda alguns pacientes quando está desocupada. Entrei por essa sala, e dei de cara com o colchão do Rafiki, com a coberta dele. Achei que ele ainda deveria estar internado por causa da severidade da cirurgia, mas não. Quando levantei a coberta, vi que ele não tinha resistido. Isso aconteceu há menos de meia hora. Aí eu surtei e corri atrás de alguma das veterinárias pra saber o que tinha acontecido. Descobri que com tudo pra dar errado, o que deu errado foi justamente a transfusão de sangue. Ele teve uma reação e morreu.

Foi inútil eu ter feito toda a campanha? Parece que sim. Por mais que a história dele tivesse sido divulgada, ele não recebeu doação nenhuma. Todo mundo falava “Ah, tadinho do cachorrinho…”, mas só ficava nisso. E mesmo que ele tivesse recebido alguma doação, será que algum de vocês acha que valeria a pena salvar a vida de um cachorro condenado? Pois pra mim valia. Um cachorro é um animal que nunca vai te virar as costas, e vai te dar amor incondicional até o fim da vida dele (ou da sua). Pra mim, fica um imenso respeito pela Cleide, dona do Rafiki, que teve coragem de tirar ele da rua e de enfrentar a família pra salvar a vida dele.

Então pelo menos hoje, só por hoje, evitem os comentários estúpidos do tipo “seu blog é lindo, passa no meu”. Estou fora da internet esse fim de semana e só quero ficar em paz.





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