Pode falar de traumas infantis? Pode né? O blog é meu.
Então que quando eu tava na terceira ou quarta série (93 ou 94, só 15 anos atrás) a música “Lôraburra” estourou. Eu era perseguida por pessoas na escola, cantando a música o tempo todo pra mim. Me incomodava, obviamente, por mais que eu sempre fosse uma tremenda CDF. Atualmente, eu acho a música chata e nada mais. Piadas de loira? Conheço todas. Sempre tem um engraçadinho que se mete a me contar, mas acabo com a graça porque já sei todas as respostas. Eu tenho uma amiga que diz que o sonho de toda mulher é ser loira. Daí a birra de outras mulheres. Ela mesma uma ex-morena linda, branquinha, com luzes impecáveis retocadas uma vez por mês.
Eu queria fica diferente. 5 horas no salão e uma bunda quadrada depois, estou finalmente de volta a minha casa. Eu acredito em sinais e coisas lindas de Deus assim. Foi o que aconteceu. Deus se tranformou em ondas de rádio e o que eu ouvi foi Mercy, da Duffy. Comentei com a cabeleireira que tinha acabado de fazer um post falando sobre a Duffy, que achei a coincidência incrível e coisa e tal. Ela não conhecia Duffy e duvido que tenha entendido a história do post, mas uareva.
1kg de pó descolorante depois (não estou zoando, foi 1 kg no meu cabelão), eu estou loira-loira (o que é mais que loira, é duas vezes loira). Tá uma coisa discreta, meio Lady Di sabe? Tire o fundo cinza e ponha um louro escuro: é exatamente assim que meu cabelo está. A esquerda o meu cabelo como era, com pontas pretas e tudo. Sem e com flash, só pra comparar. Loiro escuro dourado, que “abre pro cinza” como disse mamãe. A direita, foto tirada hoje (clique pra ver maior). Eu clareei um pouco pra dar uma idéia melhor do cabelo, já que a foto ficou escura. Olha que pra mim ainda está escura, já que meu cabelo tá mais claro ainda que isso. A original pode ser vista aqui

Reparem nas pontas… Juro, a mulher passou descolorante 3 vezes pra atenuar o preto! HAUAHUAHUHAUH! Ainda ficou mais escuro que o resto, mas o povo do salão AMOU o resultado. Nova moda do verão: luzes californianas ao contrário! Curtiram? Quem quiser, eu passo o telefone do salão. ;)
Depois de quatro horas, hidratação com uma máscara de morango. O que é ótima pra alguém que estava morrendo de fome como eu. Sim, se eu sair daqui sem comer meu cabelo vou ficar mais loira. O resultado final foi algo assim, ainda estou me acostumando com ele, sabe? Na primeira vez que eu me vi, senti que estava usando peruca e que aquela loirice toda não me pertencia. Ainda me assusto quando passo em frente de algum espelho. Mas isso não é só por conta do cabelo, já que estou de TPM e minha cara não ajuda.
Sim, loiras se divertem mais. Afinal de contas, não sabem fazer nada melhor.
A nova pauta passará a ser: “Ao mestre com carinho”. A ideia é que vocês contem historinhas de algum professor que foi especial para vocês; aquele(a) marcante mesmo, de quem vocês guardam que provavelmente levarão para tooooda a vida.
Toda a vida vamos ter professores que nos marcam. Alguns de forma mais indelével do que outros. É fácil gostar do professor brincalhão, do professor gente boa. Mas duvido que esses professores marquem mais do que professores como a Creuza.
Ela era lenda na minha escola (e na cidade, e provavelmente no estado). Quando entrou na minha sala pela primeira vez, até senti um calafrio. Mandou que arrumássemos a bagunça e frisou: fileiras indianas. Nada mais de sentar junto, de carteira – e aluno – fora do respectivo lugar. Aquela senhora de um metro e meio tinha porte de rainha e nós a respeitávamos incondicionalmente. Pelas costas, a chamávamos de Creuza Queen Elizabeth. Foi minha professora de Geografia durante praticamente todo o colegial, e eu nunca aprendi tanto sobre uma matéria.
Creuza não passava a mão na sua cabeça. Ela cobrava. Ela tirava pontos se achasse que sua resposta não estava de acordo. Mas se ela nos cobrava dessa forma, é porque nunca deixou nada a desejar com relação a matéria. Ela explicava como ninguém. Eu era boa aluna, mas era dispersa e tinha um sério problema de “bicho-carpinteiro” (termo que os professores usavam pra dizer que eu não parava quieta). Por isso, estava sempre na linha de frente dos olhares fulminantes da professora. E que olhares! Creuza é lembrada especialmente por seus olhares matadores, que dirigia aos alunos engraçadinhos como eu.
Professora, desnecessário dizer que pessoas como você nos transformam em seres humanos melhores. Tentar me ensinar ao mesmo tempo que tenta me disciplinar não é nem de longe tarefa fácil. Mas a senhora conseguiu! Então vou me abster de mais comentários e terminar por aqui.
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Mais respeito aos professores? Não sei se vocês acompanharam, mas nesses dias, em Porto Alegre (RS), uma aluna agrediu uma professora, que acabou tendo como resultado, um traumatismo craniano. A estudante se diz ofendida pela professora. O que vocês acham? A juventude está perdendo os limites hoje em dia? Não há mais respeito nas relações desse tipo? Os professores, por sua vez, têm culpa nisso tudo? Eles abusam do poder e acabam atraindo esse tipo de comportamento?
Lembro do meu primeiro dia de escola como se tivesse sido ontem. Eu tinha recém-completado 4 anos de idade, e fui matriculada no Jardim II da Escola Recreio Infantil. Primeira filha dos meus pais, primeira neta do lado da mãe e primeira neta mulher do lado do pai, imaginem como não era mimada. Mimada, birrenta e com um vocabulário rico em impropérios para uma criança de 4 anos. Pois bem. Foi essa criança que minha mãe deixou na escola, numa tarde quente de verão. Foi eu me ver longe da minha mãe que o show começou. Não parava de chorar, xingava os funcionários, me atirava no chão… Foi então que a diretora, vendo aquela cena, me pegou pelo braço e me colocou de castigo atrás da porta da direção, “pra pensar”.
20 anos atrás, foi uma ótima solução. Fiquei quietinha e, no dia seguinte, eu era uma santa na escola. É verdade que volta e meia ainda teimava em desafiar a autoridade dos professores, mas eles contavam aos meus pais e a cinta cantava na minha bunda. Vamos aos fatos: não estou defendendo o castigo físico. Estou é dizendo que compreendi que a escola nada mais era do que uma extensão da minha casa. E minha atitudes ruins na escola teriam consequências, assim como minhas atitudes ruins em casa. O que eu vejo hoje em dia é que muitos pais têm medo de educar, e esperam que a escola faça um trabalho que não cabe a ela. Respeito e disciplina são coisas que aprendemos em casa e levamos pra fora dela. Mas confunde-se liberdade com permissividade, e os pais na ânsia de serem “legais” acabam por gerar mini-ditadores cujas vontades têm de ser satisfeitas na hora.
É fácil culpar os professores. Os pais não aceitam que sua forma de educar esteja errada. Se já é desesperador imaginar isso com apenas uma criança, imaginem tudo isso multiplicado por 20 ou 30, que é o número de alunos dentro de uma sala de aula. Hierarquia não existe a toa. E pais, não tenham medo de agirem como… PAIS! Educação é a base de tudo sim, mas ela começa em casa.