Oi, seu pai tem boi?

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04/09/2009 22:04 877 palavras 9 comentários

Eu não escondo de ninguém que eu amo vacas, bois e seus derivados. Gosto até de ovelhinhas, que são vacas em miniatura. Pra quem não sabe, carneiros e ovelhas são pequenos ruminantes. Vacas pequenas com uma manta de lã nas costas. /momentogloborural

Então. Terça fomos a uma visita técnica numa propriedade de gado leiteiro. Iríamos coletar leite pra realizar alguns testes, coisas do tipo. Esse é um daqueles momentos pra você mostrar a que veio. Vale lembrar que são animais quase 10 vezes mais pesados do que você, e por mais que sejam lindas e pacatas, vacas podem fazer um estrago. Chegamos ao galpão onde estavam as vacas e meus olhos brilharam. Coisinhas mais lindas e malhadas! Tem algo nesses bichos que me deixa doida. Alguns de nós teriam a chance de ordenhar uma vaca pela primeira vez (eu! eu! eu!), e tinha tudo pra ser um momento emocionante. No meu grupo, uma das garotas pediu pra ser uma das duas pessoas a ordenhar a bicha (a vaca referente ao nosso grupo). Concordei, claro. Eu seria a outra.

Nesse momento, um amigo chegou e, apontando pra vaca do nosso grupo, inocentemente perguntou se aquela era a vaca da Mariana. Quem tava em volta pegou o trocadilho acidental e eu fiquei olhando pra ele com a minha cara de cu nº 38. O coitado morreu de se desculpar e eu acabei rindo. Tá, aquela era mesmo a vaca da Mariana. E daí?

Só que não se sabe por qual motivo, as vacas estavam nervosas. talvez tivesse algo a ver com os estudantes barulhentos. Talvez tivesse a ver com a simpática aqui, tratando vacas como se fossem lulus inofensíveis. A outra garota foi primeiro. O tratador estava do nosso lado, dizendo pra chegarmos de mansinho, colocar a mão devagar na vaca… Pra nos tranquilizar, ele disse:
- Preocupa não, ela só não gosta que tire o leite.

Ah, valeu tio. Isso é só tudo o que a gente tem a fazer. A vaca se mexia revoltada e olhava desconfiada pra gente. A garota, que já estava nervosa, tirou a mão. A vaca se mexeu de novo e trombou com uma vaca de outro grupo. Devo dizer que esse tipo de coisa a gente deveria ter feito em um tronco (lugar apropriado para contenção de vacas). Todos os animais estavam nervosos e a gente também não ajudava. Foi então que a vaca que estava a umas duas vacas da nossa (num total de 6 vacas enfileiradinhas) arrebentou a corda e saiu trombando nas outras vacas.

Foi um estouro da boiada! A boiada da veterinária, claro. É incrível como a gente é capaz de correr rápido quando tem um animal de meia tonelada solto e nervoso, não? Somos um bando de covardes, mas sobrevivência vem sempre em primeiro lugar. E eu não queria minha mãe cantando um cover de “O menino da porteira”. O tratador pegou a vaca pelo rabo (literalmente) e conseguiu amarrar a bichona de novo. A vaca do nosso grupo já estava nervosa antes, agora então…

- Eu vou! – disse num ato corajoso. A vaca ainda se remexia, mas paciência. Só saio daqui com o seu leite, dona Mimosa! Fiz a limpeza dos tetos e fui me meter a ordenhar. Tá, eu não sei ordenhar. E não me digam que eu sou do Mato Grosso do Sul e deveria saber fazer esse tipo de coisa. Nem todo habitante do MS é peão chapeludo. Morei 3 anos numa fazenda, mas tirar leite era serviço de peão. Aliás, ainda é. Sorte que fui salva pelo japonês da minha sala. Japoneses, sempre eles. Consegui tirar a quantia de leite necessária e abri caminho pra outra garota do grupo.

Devo dizer que tirar leite é uma coisa emocionante. Aliás, errei a mira de uma das ordenhadas e acertei a minha mão. Nhói, leite é tããããão quentinho! Tá, é fofuxo, miguxo, mas dá trabalho. Exatamente por isso que temos ordenhadeiras mecânicas hoje em dia. Fora que usar galochas num dia bizarro de quente por algumas horas não é muito agradável. Aliás, essa moda das galochas coloridinhas é um tanto quanto cretina. É um calçado desconfortável, quente e não orna aqui no Brasil a menos que você precise limpar a cena de um crime ou pisar em bosta de vaca (meu caso). Pelo menos fico uma veterinária fashion no campo.

E eu continuo amando todas as vacas, mesmo. Por mais que elas não gostem de mim. Por mais que espirre bosta pra tudo que é lado. Ossos do ofício. Eu continuo achando as vacas lindas. E como ficam bonitas no meu prato!

P.S.: Ainda sobre as galochas. Já que sou obrigada a usá-las, juro que não ia reclamar se ganhasse essa aqui. Demais né? Por sinal, achei sem querer a galocha da minha professora no mesmo site. Ela tem essa aqui.







MIM DEICHA!

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02/09/2009 13:13 420 palavras 7 comentários

Porque esse é o meu jeitinho.

Assim, o blog (e consequentemente tudo que está hospedado aqui no Popnoid.com) ficou fora do ar quase 5 dias por conta de um pobrema no servidor. E querem saber? Eu achei foi jóia. Nesses 5 dias eu tava de bode, e meu bode era tão, mas TÃO grande que se eu postasse, só ia sair um mimimi imenso. E olha que eu tava com vontade de escrever. Só iam sair lamúrias, geral ia parar de ler porque ia descobrir como posso ser chata quando estou de bode. Não que eu já não seja naturalmente chata, mas enfim.

Eu sou assim, preciso de um tempo pra ficar quieta no meu canto [novela mexicana]catando os pedaços do que sobrou de mim[/novela mexicana]. Daí eu fico boa de novo. Ou volto ao normal, o que não é exatamente “ficar boa”.

Então, o drama todo é porque esse ano não vou me formar com a minha turma. Em teoria, estou no 5º e último ano. Na prática, por conta de outro pobrema, perdi o ano todo. E não miguxinhos, não foi porque repeti o ano. Eis que ontem eu fui numa visita técnica com a minha turma e mais algumas pessoas do 4º ano, que será a minha turma no ano que vem. Estava eu lá, muito sincera, dizendo o quanto achava a turma do 4º ano pau no cu e mimimi mimimi, quando uma das meninas do 4º ano sentou com a gente e disse que ela era legal. Tá, eu mal te conheço pra falar, mas pelo menos eu sou sincera. Quero dizer, eu digo que sou sincera pra encobrir meu complexo de alfinete. É que eu vivo dando furo.

E tem mais um pobrema. Não é segredo pra ninguém lá na faculdade que a minha turma (med vet 2005 tá?) é super querida pelos professores. E algumas pessoas das outras turmas se ressentem por isso. Daí também não é problema meu, já que eu sou daquelas que não faz questão de ser simpática. Quero dizer, olhando assim parece que a pau no cu sou eu, o que também não deixa (com x, pelo amor de Deus!) de ser verdade. E eu sei que tem pessoas legais no 4º ano. Acho.

Ano que vem, é nóis no 5º ano. De novo. Aicu.

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Ice Queen

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02/06/2009 12:19 564 palavras 6 comentários

Quantas vezes você já tentou mudar a imagem que outras pessoas têm de você? Na verdade, será que você sabe mesmo como as pessoas te enxergam? Eu sei. E olha, não é uma imagem muito bonita…

Foi ano passado que uma amiga me disse que tinha verdadeiro pavor de mim, e que até me conhecer de verdade, achava que eu era a pessoa mais mal-humorada que já existiu. Não que ela tenha mudado muito de opinião, mas… Descobrir que as pessoas têm medo de mim me espantou. Me acho um ser humano bem comunzinho, mas daí parei pra pensar naquele de quem eu tinha herdado o temperamento. Meu pai. E o pavor que eu tinha de contrariá-lo e de fazer qualquer coisa errada na frente dele. Segue um exemplo prático.

Semana passada apresentamos um seminário, e ao final da explanação perfeita, a professora nos disse que tínhamos esquecido de um dos aspectos mais importantes da doença. Bem, acontece que quem tinha feito os slides no powerpoint fui eu. Então imaginem como eu não fiquei. Falha inaceitável, a apresentação vai ter de ser refeita e apresentada de novo essa semana. Primeiro que não é só um pequeno inconveniente. Eu simplesmente tive de deixar meu TCC e meu seminário técnico (espécie de treino pro TCC) de lado pra refazer a apresentação. Tinha que ser eu, a falha havia sido minha. Meu grupo viu como eu fiquei, e certamente se assustou. Mas não tinha sido só isso. Sabe, tantos problemas reais e eu tendo que lidar com aquela porcaria de apresentação de novo. Pior: de uma matéria que não vai fazer a mínima diferença depois que eu estiver formada.

Eu consegui. Refiz o seminário no mesmo dia. Trabalhei no seminário técnico o fim de semana inteiro. E ontem dei cabo do TCC. As vezes as pessoas esquecem que pessoas como eu ou como meu pai são extremamente exigentes consigo mesmas. Tem falhas minhas que acho inaceitáveis e muitas vezes estou mais preocupada me cobrando e tentando corrigir meus erros do que atenta ao que os outros em volta estão vendo. E esse é o erro maior. Ao não olhar em volta, esqueço que há mais pessoas compartilhando da minha vida e que podem ficar magoadas com minhas atitudes.

Quando estou agindo dessa forma, fazendo com que as pessoas sintam medo de mim, na verdade estou chateada porque fui eu quem errou. E peço desculpas a essas pessoas. A verdade é que me apavora ver que tem coisas que não estão sob o meu controle. É complicado relaxar e aceitar que não podemos mudar certas coisas. Mas juro, estou tentando. Então, não tenham medo de mim. Sou um ser humano bem normal e até bem sensível. Rainha de gelo, só na fachada mesmo.

You can be anything you want to be
Just turn yourself into anything you think that you could ever be
Be free with your tempo, be free be free
Surrender your ego – be free, be free to yourself

Innuendo – Queen

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