Desde que comecei a namorar com o André (7 meses e um pouquinho atrás) eu tenho aprendido muitas coisas sobre cultura japonesa. Na verdade, ele me ensina o que ele sabe, eu junto com o que eu sei e vou me virando. Também porque temos feito coisas “japonesas”. Eu que não era fã de comida japonesa aprendi a comer na casa dele (Oi? Sushi e yakisoba da sogra comandam!). Outras pequenas coisas a gente vai aprendendo.
Sábado fomos ao noivado de dois amigos do meu namorado. Fomos os primeiros a chegar, coisa que meu namorado estranhou. Afinal de contas 18:30 é 18:30 para os japoneses, não? Um tempo depois, as pessoas começaram a chegar. Um japonês, mais um casal de japoneses, mais um grupo de japoneses… Tá, eu até me viro bem no meio de desconhecidos, mas tipo, eram só japoneses. A impressão que eu tenho é que se eu fizer alguma coisa que os ofenda, vou sair linchada de lá. Ainda mais que estavam conversando em japonês também. Uma palavra ou outra eu acabo entendendo (depois de ver um monte de animes, queriam o que?), mas não deixa de ser menos assustador.
Sentei quietinha num canto enquanto o namorado tirava fotos dos noivos e de todo mundo. Não só porque o noivo tinha pedido, mas porque ele tem prazer nisso. Japoneses e câmeras: esse clichê é verdadeiro. Sorte que tinha um conhecido e fiquei conversando com ele enquanto os convidados terminavam de chegar. Eu conhecia os noivos, mas eles estavam ocupados dando atenção a todo mundo e acertando detalhes finais. Correu bem até a hora do brinde, ou Kampai!. Perguntei a um japonês que estava na mesma mesa que eu e ele muito calmamente me explicou. Como lá tinha um nihonjin, não poderíamos falar tin-tin!. No Japão, tin-tin significa “pênis pequeno”. Então imaginam quão bonita seria a cena da Marianinha aqui falando um tin-tin! todo animado no meio dos japoneses e eles desembainhando katanas e me perseguindo noite adentro. Aloka! Eu imaginei… E passei o resto da noite rindo. Na verdade, estou rindo até agora.
O jantar foi praticamente todo de comida japonesa. Tirando uma salada de legumes, arroz branco (que não era shirogohan) e uma carne ensopada. Bah, essas coisas eu como em casa né? Peguei só sushi (tinha de tudo quando é jeito e cor), nigirizushi, tempura, sashimi e umas saladas que até agora eu não sei do eram feitas, mas que eram boas pra dedéu. Eu sei que tinha kani no meio, e como kani eu como até com concreto, peguei. Comi os sushis de hashi, e até que me viro bem com eles. Meu namorado elogiou, até que eu fui comer o tempura. Tava pesado e o que a lorpa aqui fez? Espetou o tempura com o hashi! No Japão, é uma tremenda gafe espetar comida. Significa que você está oferecendo a comida pros mortos. Desespetei a comida rapidinho e continuei comendo. Pior que eu sabia que não podia e não lembrei na hora. Pra minha sorte, ninguém além do meu namorado viu. A imagem dos japoneses desembainhando katanas me veio a mente de novo, e não achei que seria legal sair correndo de salto alto.
No final, sempre vale a pena. Estar cercada de japoneses faz com que eu me sinta um pouco mais imersa na cultura, coisa que eu acho fantástica. Uma coisa que me fascina é o fato de buscarem perfeição e excelência técnica em tudo o que fazem. Tudo mesmo (um dia eu preciso fazer um post sobre os pães de mel da minha sogra). E o fato de pensarem no coletivo antes de pensarem no individual. Eu, pessoa egoísta, tenho muito a aprender.










