08.03.12


Mamães, maneirem

Categorias: Espelho, Mimimi, NiGHTS 196 hits
13:58 692 palavras 9 comentários

Em primeiro lugar, feliz dia das mulheres pra todas nós que nos libertamos do pensamento machista e hoje podemos fazer de tudo. Parabéns mesmo, mulheres. Nós somos vencedoras. :)

Mas hoje não tirei o dia pra ser simpática. É fato, eu nunca tiro dia nenhum pra ser simpática. Pode ser que seja porque eu sou alguém amarga e incapaz de amar, que dirá de gerar uma vida e ser responsável por ela. Ah é, eu trabalho com reprodução animal, né? Então deixa pra lá. Vamos em frente.

Pra grande maioria das pessoas, ser mãe é o pináculo da vida de uma mulher. Aparentemente, tudo o que ela faz na vida é pra chegar até esse ponto e daí… Oras, daí ela não é mais mulher, ela é mãe. Ela pode ter descoberto a cura pra AIDS. Pode ter descoberto um jeito de comer sem engordar (ou de emagrecer dormindo!). Pode ser laureada pelo prêmio Nobel. Mas nada disso importa porque o ponto alto da vida de qualquer mulher é parir. Até o nome ela perde, vejam só vocês. Fulana deixa de ser Fulana. Fulana agora passa a ser conhecida como “mãe do(a) Sicraninho(a)”. E o que é pior: hoje ainda tem uma “liga das senhoras católicas” especializadas em fiscalizar o que outras mães fazem. Não amamentou no peito? Que mãe horrorosa! Trabalha meio período fora de casa? Desnaturada! Ousou pensar diferente? Deus deveria retirar seu útero pra te proibir de ter filhos!

A pior parte é que essa “liga das senhoras católicas” é formada por outras mulheres, vejam só vocês. MÃES, ainda por cima. Porque mãe aparentemente é algo sagrado e só deve pisar o chão mais limpo coberto de pétalas frescas de rosas recém-colhidas por monges tibetanos pernetas de Xangrilá. A palavra delas é lei: falou, tá falado. Não adianta perguntar a credencial porque elas não precisam de credencial: são mães e o fato de terem colocado uma criatura no mundo as torna perfeitas e intocáveis, beirando a santidade.

Uma coisa eu vos digo, pequenos padawans: estou cagando pra sua santidade. A única mãe que é sagrada pra mim é… A minha, vejam só vocês! Esta me deu metade da sua (fantástica) carga genética, me colocou no mundo, me criou e me atura até hoje. E por que estou dizendo isso? Porque estou cansada da horda sanguinária de mães internet afora achando que pode ditar ou não o que é certo pros outros.

O mesmo vale praquelas mães que se anulam completamente e só sabem falar de filho e ficam ofendidíssimas quando não mostro interesse na última peripécia do rebento delas. Mamães, maneirem. Não é todo mundo que quer ouvir você falando da cria o tempo todo. Você tem um blog sobre o assunto? Fantástico! Continue por lá. Ser mãe não te torna especial pra mim. Você acha que a gestação é um milagre divino e que isso te concede beatificação-automática-pós-parto. Eu acho que a gestação é uma sequência de eventos fisiológicos extremamente naturais. Acha especial? Pois somos 7 bilhões de especiais nesse mundo cada vez mais apertado. Acha mágico? Eu acho hormonal.

Acha que eu não te entendo porque eu nunca pari? Acreditem, um dia eu chego lá. Afinal de contas, seria um desperdício jogar minha carga genética no lixo. Enquanto isso, tentem não julgar outras mulheres que tem prioridades diferentes na vida. Foi uma estrada longa e dolorosa até conseguirmos todos os direitos que temos hoje em dia. Ainda escuto comentários machistas vindo de mulheres, mas tenho fé que isso vai mudar muito em breve.

Mamãe, papai e eu!

combinação perfeita de genética e amor (ilustrado acima)

Um beijo pra quem é linda e feliz dia das mulheres. :D







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