Ontem eu peguei pra ler o livro Manual do Hedonista, de Michael Flocker. Li em coisa de uma hora e meia. O livro é uma delícia, ri demais lendo! E só fez reforçar o meu pensamento acerca de alguma coisas. Eu já pensava em mim como hedonista. Pra quem não sabe o que é o hedonismo, segue a definição do dicionário:
HEDONISMO s.m. (do grego hedone, prazer). Doutrina moral que considera o prazer a finalidade da vida.
Quem já viu o filme Click (e aposto que a grande maioria da população mundial já o deve ter feito) vai entender rapidinho do que se trata. A vida passa rápido. Se estiver preocupado demais correndo atrás de dinheiro, poder, fama… Vai acabar deixar passando pequenas coisas, pequenas delícias diárias. Como sentar num banco da praça e assistir ao pôr do sol. Uma coisa que eu falo pra mim mesma sempre é “Você corre atrás do que quer, você sempre faz o melhor que pode, então tem que se permitir alguns prazeres de vez em quando”. Tenho sorte de ouvir a mim mesma, sou uma boa conselheira. =D
Tenho os meus prazeres. Inspirada pelo livro, resolvi falar sobre eles. Se você é muito chato ou muito sensível, não recomendo que continue a leitura.
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Eu gosto de saber quem eu sou. Gosto de me conhecer, saber quais as minhas limitações, os meus pontos fortes. Mas uma qualidade que achei que nunca fosse tão forte em mim anda se sobressaindo ultimamente. A minha força de vontade tem me surpreendido, de uma forma que nunca achei que fosse possível.
Quando desisti da Engenharia anos atrás, me senti uma grande covarde. Ainda mais porque me faltou coragem pra dizer o que eu realmente queria fazer pro meu pai. Ultimamente, tenho pensado muito nele. É como se eu estivesse mais próxima dele do que jamais estive. Mas é assim! Estou no 5º ano de Medicina Veterinária, e talvez não me forme esse ano por motivos que não importam agora. O que importa… O que importa é que depois de todo esse tempo, mesmo que eu seja obrigada a passar um ano a mais estudando, eu não estou preocupada.
Pela primeira vez na vida, eu sinto que estou fazendo algo correto. Algo que me faz feliz e que me completa. Eu não estou brincando quando digo que a veterinária é, antes de mais nada, uma paixão. E eu sou movida a paixões desde sempre. Eu sinto, é algo que faz parte de mim! E que me faz querer aprender mais e me esforçar mais e me aprofundar e seguir até onde for possível. E depois? Depois, ir além do possível! E me sentir viva mais uma vez. Essa é a minha vida, e foi assim que eu escolhi vivê-la.
Obrigada a todos que seguiram esse caminho comigo. Obrigada a quem ainda segue comigo. Obrigada a quem me acompanhou durante apenas parte da jornada. Eu só queria dizer o quanto estou feliz! E orgulhosa por ter chegado até aqui!
And when you can’t recognize
Anything solid
Where do you turn?
When you can’t buy it?
(…)
Just let your fears go
You might find your way back home
Let your fears go
You might find that you’re not lost
Lost – Sunlounger
As paixões humanas são misteriosas, e as das crianças não o são menos que as dos adultos. As pessoas que as experimentaram não as sabem explicar, e as que nunca as viveram não as podem compreender. Há pessoas que arriscam a vida para atingir o cume de uma montanha. Ninguém é capaz de explicar por quê, nem mesmo elas. Outras arruínam-se para conquistar o coração de uma determinada pessoa que nem quer saber delas. Outras, ainda, destroem-se a si mesmas porque não são capazes de resistir aos prazeres da mesa – ou da garrafa. Outras há que arriscam tudo o que possuem num jogo de azar, ou sacrificam tudo a uma idéia fixa que nunca se pode realizar. Algumas pensam que só podem ser felizes em outro lugar que não naquele onde estão e vagueiam pelo mundo durante toda a vida. Há ainda as que não descansam enquanto não conquistam o poder. Em suma, as paixões são tão diferentes quanto o são as pessoas.
Esse trecho está no primeiro capítulo do livro A História Sem Fim, do Michael Ende. Não é à toa que é meu livro favorito. E nesse pedacinho ele explicou bem o que cada um que se dedica à sua paixão sente. Na verdade, não explica nada porque nem nós podemos explicar!
E no meu caso, as paixões são o meu combustível. São elas que me inspiram, que me animam, que fazem com que eu me sinta mais viva… Paixões tão diferentes entre si mas igualmente importantes pra mim. Não sei se é porque eu sou assim digamos, meio intensa. =D Só que, quando eu me proponho a fazer algo, eu vou fazer com vontade, colocar a minha alma naquilo. Shorar oseanus se deu errado ou rir histericamente se tudo correu bem. Além de ficar extremamente chata e desandar a falar se alguém trouxer alguma das minhas paixões à baila. Daí coitado de quem estiver perto.
Não sei dizer qual foi a primeira de toda uma série de paixões/obsessões. Mas se for pelo óbvio, foi a música. Com 5 anos meus pais colocaram pra estudar piano, e desde então eu já perdi as contas de quantas vezes chorei de frustração por conta desse instrumento maldito. Quem estuda sabe como é: piano toma conta da sua vida. É poderoso, irresistível. E eu acho que alguns pianos têm alma, inclusive. Eu parei de tocar em 2003, e hoje provavelmente não lembro mais nem como se toca o Chopsticks (Chopsticks, pra quem não sabe, é a tal “música do danoninho”). Mas ainda hoje eu fico toda arrepiada quando ouço o som de um piano.
Houve uma época em que eu era apaixonada por desenhos. Não desenhos animados ou desenhos de outrem, mas sim o ato de desenhar. Sabia de cor os vários tipos de papel e lápis existentes, e até hoje tenho comigo duas lapiseiras da Pentel que são meus xodós (BTW, tenho as duas a quase 10 anos e ambas funcionam perfeitamente). Não fazia sentido porque eu não queria ser desenhista, muito menos sair por aí mostrando meus desenhos. Era uma obsessão minha, algo que eu queria guardar só pra mim. Até 2002 eu desenhava praticamente todo dia, e meus cadernos eram repletos de rascunhos. Era como respirar pra mim: eu tinha de fazer, do contrário não seria capaz de viver. Ontem, assim do nada, me deu vontade de desenhar. E o resultado foi uma porcaria gigante. Desaprendi? Eu acho que a paixão acabou se extinguindo… Alguns anos atrás eu teria continuado até que estivesse perfeito aos meus olhos (o que não é grande coisa, mas enfim…).
Eu até posso mudar o foco, mas as paixões continuam a me mover. E o que me move atualmente, além da música (que por mais que eu mude está sempre comigo), é a fotografia. Eu me pego olhando o céu e imaginando qual a melhor forma de enquadrar o pôr do sol… Não sei se essa vai ser mais uma daquelas minhas paixões que vai diminuindo diminuindo até sumir. O que importa é que ela está me movendo agora, e enquanto isso continuar, eu vou sair por aí com a minha humilde câmera pra tirar fotos.
Talvez eu esteja mesmo apaixonada pela minha vida. Feliz, tranquila… Com todo o drama e o mimimi que podem aparecer eventualmente. Ou talvez esteja sendo exagerada como sempre. Ou talvez eu tenha sido assim a vida inteira e só agora reparei. Ou talvez, e só talvez, eu continue confusa. Lidar com possbilidades dá um trabalho imenso e eu quero evitar a fadiga. =D
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