Meme? Uadarrél?

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06/03/2009 16:33 524 palavras 7 comentários

Todo mundo aqui já deve ter recebido um: seja um selinho, uma lista de informações sobre si mesmo, uma tarefa… Recebemos e repassamos, é assim que funciona. Mas você sabe o que é um meme?

De acordo com a Wikipédia:

Um meme, termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller controverso O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. (…) Os memes podem ser idéias ou partes de idéias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma.

Ou seja, um pedacinho de informação que se propaga. Conhecemos o caso do Prêmio Dardos, né? Aliás, existe alguém que ainda não recebeu?

Enfim, eu não queria postar os memes que deixei acumular enquanto estava fora de forma vazia. Eu gosto de saber o que há por trás de uma simples palavra. Agora você pode encher a boca e sair por aí dizendo que sabe o que a palavra “meme” significa.

Vamos aos memes!

Meme da saudade

Indicado por Simone

- Acordar cedinho pra ir ao clube e passar o dia na piscina com toda a minha família.
- Conversas que varavam a madrugada e me faziam ver o dia raiar mais bonito.
- Aulas da Body Systems com a professora Simone.
- Passeios que nunca sabíamos como iam acabar.
- Coca-cola, Sampoerna e tardes de fofocas…
- Tocar piano e saber que a pessoa que você mais ama no mundo está te ouvindo, mesmo que você não a esteja vendo.

5 obsessões/apegos/manias

Indicado por Simone e Mariana.

1) Eu preciso de música. Sempre tem alguma música na minha cabeça. Eu sempre estou ouvindo alguma coisa, ou batucando, ou murmurando…
2) No geral não sou muito fã de bichos de pelúcia e afins, mas guardo comigo até hoje uma bonequinha. Ganhei ela com 5 anos e costumava dormir com ela.
3) Tenho facilidade pra tirar músicas de ouvido. Pra mim é fácil ouvir uma nota e depois reproduzir ela ao piano.
4) A primeira impressão é a que fica. Se eu não gostar de você de cara ou não me sentir a vontade com você, muito provavelmente nunca vou gostar de você.
5) Se eu usar uma roupa branca e me encostar numa parede, fico camuflada.

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Movida a paixões

Categorias: Espelho, NiGHTS, Puta que pariu! 1,289 hits
15/11/2008 19:50 883 palavras 28 comentários

As paixões humanas são misteriosas, e as das crianças não o são menos que as dos adultos. As pessoas que as experimentaram não as sabem explicar, e as que nunca as viveram não as podem compreender. Há pessoas que arriscam a vida para atingir o cume de uma montanha. Ninguém é capaz de explicar por quê, nem mesmo elas. Outras arruínam-se para conquistar o coração de uma determinada pessoa que nem quer saber delas. Outras, ainda, destroem-se a si mesmas porque não são capazes de resistir aos prazeres da mesa – ou da garrafa. Outras há que arriscam tudo o que possuem num jogo de azar, ou sacrificam tudo a uma idéia fixa que nunca se pode realizar. Algumas pensam que só podem ser felizes em outro lugar que não naquele onde estão e vagueiam pelo mundo durante toda a vida. Há ainda as que não descansam enquanto não conquistam o poder. Em suma, as paixões são tão diferentes quanto o são as pessoas.

Esse trecho está no primeiro capítulo do livro A História Sem Fim, do Michael Ende. Não é à toa que é meu livro favorito. E nesse pedacinho ele explicou bem o que cada um que se dedica à sua paixão sente. Na verdade, não explica nada porque nem nós podemos explicar!

E no meu caso, as paixões são o meu combustível. São elas que me inspiram, que me animam, que fazem com que eu me sinta mais viva… Paixões tão diferentes entre si mas igualmente importantes pra mim. Não sei se é porque eu sou assim digamos, meio intensa. =D Só que, quando eu me proponho a fazer algo, eu vou fazer com vontade, colocar a minha alma naquilo. Shorar oseanus se deu errado ou rir histericamente se tudo correu bem. Além de ficar extremamente chata e desandar a falar se alguém trouxer alguma das minhas paixões à baila. Daí coitado de quem estiver perto.

Não sei dizer qual foi a primeira de toda uma série de paixões/obsessões. Mas se for pelo óbvio, foi a música. Com 5 anos meus pais colocaram pra estudar piano, e desde então eu já perdi as contas de quantas vezes chorei de frustração por conta desse instrumento maldito. Quem estuda sabe como é: piano toma conta da sua vida. É poderoso, irresistível. E eu acho que alguns pianos têm alma, inclusive. Eu parei de tocar em 2003, e hoje provavelmente não lembro mais nem como se toca o Chopsticks (Chopsticks, pra quem não sabe, é a tal “música do danoninho”). Mas ainda hoje eu fico toda arrepiada quando ouço o som de um piano.

Houve uma época em que eu era apaixonada por desenhos. Não desenhos animados ou desenhos de outrem, mas sim o ato de desenhar. Sabia de cor os vários tipos de papel e lápis existentes, e até hoje tenho comigo duas lapiseiras da Pentel que são meus xodós (BTW, tenho as duas a quase 10 anos e ambas funcionam perfeitamente). Não fazia sentido porque eu não queria ser desenhista, muito menos sair por aí mostrando meus desenhos. Era uma obsessão minha, algo que eu queria guardar só pra mim. Até 2002 eu desenhava praticamente todo dia, e meus cadernos eram repletos de rascunhos. Era como respirar pra mim: eu tinha de fazer, do contrário não seria capaz de viver. Ontem, assim do nada, me deu vontade de desenhar. E o resultado foi uma porcaria gigante. Desaprendi? Eu acho que a paixão acabou se extinguindo… Alguns anos atrás eu teria continuado até que estivesse perfeito aos meus olhos (o que não é grande coisa, mas enfim…).

Eu até posso mudar o foco, mas as paixões continuam a me mover. E o que me move atualmente, além da música (que por mais que eu mude está sempre comigo), é a fotografia. Eu me pego olhando o céu e imaginando qual a melhor forma de enquadrar o pôr do sol… Não sei se essa vai ser mais uma daquelas minhas paixões que vai diminuindo diminuindo até sumir. O que importa é que ela está me movendo agora, e enquanto isso continuar, eu vou sair por aí com a minha humilde câmera pra tirar fotos.

Talvez eu esteja mesmo apaixonada pela minha vida. Feliz, tranquila… Com todo o drama e o mimimi que podem aparecer eventualmente. Ou talvez esteja sendo exagerada como sempre. Ou talvez eu tenha sido assim a vida inteira e só agora reparei. Ou talvez, e só talvez, eu continue confusa. Lidar com possbilidades dá um trabalho imenso e eu quero evitar a fadiga. =D

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Pai, feliz aniversário!

Categorias: NiGHTS 4,163 hits
14/07/2008 03:30 1255 palavras 27 comentários

Meu pai sempre foi a figura mais forte daqui de casa: sério, centrado, honesto. Sempre quis o melhor pra gente, e pra isso se esforçou muito na vida. Lembro que eu cheguei a fazer aulas de inglês, jazz, piano e informática. Tudo que meu pai queria é que nós fôssemos os melhores, e fazia o impossível pra isso. Durante algum tempo, cheguei a ter raiva das aulas de piano. A professora pegava no meu pé porque eu era uma aluna muito preguiçosa e dispersa, coisa que eu sou até hoje. Mas eu sentia que meu pai tinha muito orgulho quando me via tocar, e eu ficava feliz de ver que algo que eu fazia o agradava. Sempre fiz de tudo pra agradar meu pai, coisa muito complicada. Era eu quem sempre me interessava pelo trabalho dele, queria ir junto das fazendas, ajudar… Bom, ele não deixava, claro. Eu não era homem.

Conforme eu cresci, a única ligação se reduziu ao piano. Eu não sabia se depois de tanto tempo meu pai ainda prestava atenção quando me via lá tocando, até que um dia ele veio até mim e me disse pra eu aprender a tocar as músicas inteiras. Claro, preguiçosa como sou, sempre começava as músicas e nunca terminava de aprender. Em 2001, meu pai ficou doente. Ele achava que era algum tipo de infecção, visto que tinha comido um picolé muito suspeito na fronteira. Ele precisava ficar de cama, e não conseguia nem comer e nem ir ao banheiro. Também nessa época comecei a ter alguns atritos com a minha família por causa de um namoro. Lembro de uma vez que minha mãe começou a discutir comigo no carro, e disse pra eu pensar na doença do meu pai. Eu, rápida, retruquei:

- Ai, calma mãe! Não é nenhum câncer não!

Pois é, eu disse com essas exatas palavras. Só que infelizmente eu estava errada, o diagnóstico era câncer no intestino. E só descobri porque meu irmão ouviu uma conversa da minha mãe com uma prima e veio me contar. Minha mãe não queria dizer nada pra gente.

Quando passei no vestibular pela primeira vez, em dezembro de 2001, eu tinha recém-completado os 17 anos. Lógico que meu pai quase estourou de orgulho, ao ver a filha mais velha, uma ótima aluna, entrar cedo na faculdade de engenharia. Era óbvio que eu não queria fazer engenharia, mas não me cabe discutir aqui os motivos que me levaram a entrar nessa faculdade. Fora meus novos amigos, a única coisa realmente boa da faculdade (na minha opinião) era a sala do piano. Lá eu podia treinar com um piano de verdade, o que me deu ânimo pra terminar de aprender todas as músicas que eu tinha começado. Uma coisa pra animar meu pai, que estava se tratando e indo muito bem.

Em 2002, depois de uma cirurgia complicada, meu pai ficou curado do câncer. Surpresa pros médicos, pois eu tinha certeza que ninguém esperava que ele vivesse. O que o curou não foram os remédios, e sim a atitude dele diante da doença: não parou de trabalhar e sempre acreditou na cura. Era um exemplo inclusive para os pacientes que ficavam na mesma ala que ele. Mas em 2003, um Raio X revelou alguns nódulos no pulmão. Câncer de novo. Meu pai recomeçou então o tratamento, com a mesma atitude que havia tido da primeira vez. Mas pra isso, ele tinha que ficar em Campo Grande, a capital do MS.

Em julho de 2003, vim passar as férias em Corumbá, onde a minha família morava. Como a faculdade era em Minas Gerais, a viagem era bem longa: eu passava mais de 30 horas dentro de um ônibus. Como o ônibus parava na garagem de Campo Grande pra reabastecer, meu pai disse que me encontraria lá pra me entregar uma peça de uma máquina de esteira que eu deveria levar pra Corumbá. Quando o ônibus parou na garagem, meu pai já estava lá me esperando junto com um amigo que havia dado carona a ele. Tomei um susto, nunca tinha visto meu pai daquele jeito: envelhecido, cansado, cabelos brancos, mancando. Ele me abraçou e falou sem parar pro amigo dele que eu era a filha que se tornaria a futura engenheira da família. Achei estranho, porque até então meu pai nunca tinha me abraçado daquele jeito e nunca tinha falado bem de mim pra alguém na minha frente. Pedi pra ele se acalmar, e disse:

- Calma pai! Você volta pra casa no seu aniversário né? Então.

Ele não respondeu e me abraçou durante mais algum tempo. Me entregou a peça e entrei no ônibus. Isso aconteceu dia 12 de julho, faltando 2 dias pro aniversário dele, e achei que ele iria pra Corumbá passar com a família. Só que não foi. Estava curado do câncer no pulmão, mas começou a sentir dores na perna. Ficou em Campo Grande pra se tratar. Menos de uma semana depois, as dores pioraram e descobriram que era câncer nos ossos. Já havia se espalhado e não havia nada mais a fazer, só esperar. Eu não tinha idéia da gravidade da situação, visto que ficava esperando meu pai voltar pra casa. Eu queria mostrar pra ele que finalmente tinha aprendido a tocar as músicas inteiras, e sabia que ele ficaria orgulhoso. Ficamos sozinhos em casa eu e meus dois irmãos, já que minha mãe estava em Campo Grande pra acompanhar o tratamento, então eu dormia junto com meus irmãos no quarto dos meus pais. Uma noite, na madrugada do dia 25 de julho, eu acordei chorando. Ninguém tinha me contado nada, mas eu sabia que meu pai estava morrendo. Ele morreu dia 28 de julho, duas semanas depois do aniversário de 46 anos. Aquela vez que ele me encontrou na garagem em Campo Grande foi a última vez em que eu o vi vivo, e nada me tira da cabeça que ele sabia que ia morrer.

Hoje, 3 anos depois de tudo isso, é aniversário do meu pai de novo. 49 anos, quase 50. Eu não acredito em comemorar aniversários de falecimento, pois eles não trazem nenhuma alegria. E por que também contar aniversário de falecimento se parece que ele está mais vivo do que nunca? Das coisas que me arrependo, eu posso dizer que me arrependo profundamente de não ter imposto que eu queria fazer veterinária. Precisei esperar meu pai morrer pra ter coragem de largar a faculdade de engenharia. Mas eu sei que de uma forma ou de outra, ele sente orgulho de mim sim. Só não pode me dizer diretamente.

Pai, você sempre foi um exemplo, e não só pra mim. Eu sinto muita saudade de você, mas sei que um dia a gente ainda se encontra de novo. E sei também que nunca pude dizer que te amava porque não tinha coragem e não saberia como o senhor reagiria. Mas o senhor foi e ainda é um pai maravilhoso, e eu amo você.

Feliz aniversário!

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