Pague pra entrar, reze pra sair

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14/07/2009 04:23 1183 palavras 3 comentários

Se eu estou escrevendo, é porque eu sou birrenta. Estou acordada já a 24 horas e meu corpo todo dói. Bem, na madrugada de sábado pra domingo, eu tive uma experiência quase-religiosa. Na verdade eu quase levei aquela música “Segura na mão de Deus” a sério e fui pessoalmente cumprimentar o todo-poderoso. Vou contar tudo, prometo.

O que vocês acham mais fácil: nerds acordarem 3 da manhã ou nerds ficarem acordados direto até as 3 da manhã? Eu e meu namorado escolhemos a 2ª alternativa, já que ficar acordado até tarde é com a gente mesmo. Quero dizer, eu fiquei. Tinha tomado tanto café que tinha energia sufuciente pra alimentar uma pequena cidade por um dia inteirinho. Pequena nota: o café da minha sogra é muito bom, infinitamente melhor que o meu café queimado. Sim, eu tenho as manhas de queimar o café, outra hora eu conto.

Meu namorado estava de viagem marcada, o vôo sairia às 8 da manhã. Por se tratar de viagem internacional, o check-in começa 2 horas antes. E por se tratar de um japonês, ele calculou que se saísse 3:30 da manhã de Santos teria tempo suficiente pra chegar em Cumbica. Pequena nota: adoro esse senso de dever e responsabilidade. Quando crescer, quero ser igual a ele.

Pegamos o táxi 3:30 da manhã e eu fui com ele pra me despedir no aeroporto e depois ir pra rodoviária. Eu já devia saber que ia dar merda quando ouvi o taxista conversando sozinho enquanto subíamos a serra. Nada bom. Uma hora ele falou sozinho “NEBLINA!” tão alto que meu namorado, que até então estava cochilando no meu ombro, assustou e acordou. Eu só fiquei quietinha olhando pela janela, como sempre faço. Estava tão perdida em pensamentos que nem reparei que perdido mesmo estava o taxista. Onde diabos estávamos? O taxista estava nervoso e murmurava palavrões. Confesso, foi nessa hora que comecei a ficar com medo. Ele buzinou feito louco pra outro taxista e gritou pra ele pedindo informações. Ao que o outro taxista respondeu com a maior calma do mundo “Guarulhos? Você deveria ser preso, está indo pra Santo André!”.

Imediatamente, o taxista do barulho fez um retorno de qualquer jeito e foi dirigindo em braile (passando por cima de todos os olhos de gato que encontrava) até conseguir colocar o carro na direção certa. A partir daí, o que se seguiu foi a mais absurda e apavorante corrida de carro da qual já tive o desprazer de participar. Meu namorado ainda cochilava quando ele se perdeu pela primeira vez. E eu, que estava morta de sono enquanto subíamos a serra, agora estava acordadíssima. Ele quase bateu em três carros até chegar na Marginal Tietê. Não sei como foi possível ter errado a entrada da Marginal antes, visto que quem já andou em São Paulo sabe que, por mais que a cidade seja um caos, está sinalizada com placas ENORMES.

O percurso pela Marginal foi um pouco mais tranquilo. Até ele errar a entrada pra Guarulhos. Para num posto de gasolina, para em outro posto de gasolina… Resolve pedir informações pra um grupo de homens que estava num dos postos. Bêbados. Um deles se aproxima com uma das mãos nas costas e começa a perguntar de forma enrolada quando o taxista cobraria numa corrida até a Vila Madalena. Na minha cabecinha, ele estava armado e iria atirar na gente, nos matar, nos estuprar, queimar os corpos, nos estuprar novamente e finalmente nos desovar no Rio Tietê. Mas isso não era nada perto do que aconteceu a seguir.

Conseguindo informações com o pessoal (suuuuuuuuper confiável) do posto, ele se pôs a caminho novamente. Não sei qual parte de “segue a rua até o final” ele não entendeu. Mas fato é que ele conseguiu nos meter no meio de uma favela tremendamente medonha as 5 da manhã. Medo? Eu não conhecia essa palavra até hoje. Não satisfeito em nos enfiar naquele buraco, decide pedir informações aos manos locais. Olha, não me chamem de preconceituosa. Eu só não tenho as manhas de me enfiar no meio de uma favela de madrugada e ainda pedir informações buzinando feito louca. Não apenas uma, mas quatro vezes. Devo ter um santo muito forte, pois só cruzamos com pessoas muito boas e dispostas a ajudar. Quem não queria ser ajudado era o taxista doido, que teimava em ir pra direita quando indicavam a esquerda.

Depois da busca por informações, o taxista desandou a correr. Não que ele já não estivesse a mais de 100 por hora o tempo todo e passando a pelo menos 150 por hora nos quebra-molas. Foi nessa hora que se deu a minha experiência quase-religiosa. Eu penso que Deus, além de ter um senso de humor muito do estranho, age de formas misteriosas. Ele só pode ter colocado esse taxista no meu caminho pra renovar a minha fé. Digo isso porque eu não rezava com vontade desde a minha primeira comunhão, coisa de 15 anos atrás. Malemá eu lembrava o Pai Nosso. Eu estava a ponto de chorar quando, num quebra-molas, o taxista passa e faz a minha cabeça bater contra a cabeça do meu namorado. Ele corria feito um idiota pra compensar o tempo que tinha perdido por se enfiar em Santo André e por não saber ler placas. Estou com um galo na testa, filho da puta. Daí é que fiquei sentida mesmo. Só não comecei a chorar porque o puto estava com o vidro aberto e eu só conseguia pensar no frio que fazia e no vento que batia na gente.

Meu namorado só fazia me abraçar e esfregar a minha testa. Tadinho, morrendo de frio e tentando cuidar da manteigona derretida aqui. Depois de se perder pela caralhagentésima vez, finalmente conseguiu acertar a entrada do aeroporto. Mas também só porque meu namorado estava dando as coordenadas pra ele. Fantástico ter que ensinar um caminho que já havia sido combinado antecipadamente (minha sogra marca o taxi bem antes, pra não ter erro) pro taxista. Ainda se fosse um buraco onde o Judas perdeu as cuecas, mas não… Até a caipirona da roça aqui ficou revoltada quando ele perdeu a entrada do aeroporto, marcada por uma placa do tamanho de um contêiner.

“Desculpa qualquer coisa.”, foi o que ele disse ao fim da corrida. Meu namorado tremendo de frio, eu tremendo de medo… Da corrida e do taxista maluco que xingava e cismava de perguntar o caminho pros bêbados. Desculpa qualquer coisa? Oi tio, Google Maps? Oi tio, EXAME DE VISTA? Pois como taxista, você é um ótimo Stevie Wonder. E nem precisa cantar. Eu estava tão tensa que quando finalmente coloquei os pés no aeroporto, só conseguia rir da situação. É só o que resta mesmo.

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Presa com os Jonas Brothers

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28/05/2009 08:20 603 palavras 17 comentários

Parece título de comédia romântica, mas pra mim foi mais como um filme de terror daqueles bem trash. Começando do começo…

Era domingo e eu estava com o namorado no aniversário de uma amiga dele. Estávamos lá nos divertindo, jogando Wii (esse troço cansa horrores!) e resolvemos vir embora um pouco antes das 10 da noite. Meu cunhado havia saído antes da gente e deu o alerta: não era pra pegar a Giovanni Gronchi, porque essa avenida estava parada. Com mil diabos, o que pararia uma avenida no Morumbi as 10 da noite? Seriam os ricos voltando pra casa? Antes fosse. Não demoramos muito pra nos vermos no meio do trânsito, mesmo pegando um caminho alternativo.

Não tinha como escapar. Todas as ruas estavam paradas, e pra onde tentávamos fugir éramos cercados por um exército miguxo – acompanhado das respectivas mães, afinal de contas criança não pode ficar sozinha na rua até tarde. Meninas, eu vi o apocalipse. Ele tem 12 anos de idade e usa faixa rosa na testa onde se lê I ♥ Jonas Brothers.

Já que era pra ficar presa ali, desencanei. Comecei a olhar em volta e ler placas de carros. Ajuda a passar o tempo e me diverte (outro dia eu tive uma crise de riso porque a placa do carro da frente começava com EDY). Carros de Curitiba, Belo Horizonte. Gente que veio de longe pra assistir ao show das moças. A mulher de BH batia a cabeça no volante e dava risada. Coitada, tava louca já. Um cara de Curitiba esbravejava com alguém dentro do carro. Muito provavelmente a filha, que o tinha obrigado a se meter nessa roubada.

Uma coisa que me impressionou foi o forte esquema de segurança. Imagino que uma recomendação das Jonas Sisters, que estavam com medinho da horda miguxa. Fiquei imaginando o que elas poderiam fazer de mais. Desorientá-los com seus gritos em frequência-golfinho? Tacarem os dentes de leite que estavam terminando de cair? Não faço idéia. Mas sei que quando fui ao show do Ozzy no ano passado eu me senti mil vezes mais segura. Os headbangers são muito mais educados e gente boa que aquela galerinha muito esperta que vai aprontar altas confusões nesse show do barulho (/narrador da Sessão da Tarde).

Jonas Brothers

Depois de um bom tempo finalmente conseguimos fazer um retorno e sair. A parte desesperadora era saber o quanto estávamos perto da casa do meu namorado sem podermos sair dali. Bom, quem vê pensa que eu sou uma velha rabugenta. Mas quer saber? EU SOU MESMO! Se ali não houvesse tanta gente burra não teríamos ficado presos. Não se vai a um show grande desses com o carro da mamãe. Vão de táxi ou de ônibus!

Meu consolo é que ano que vem ninguém mais vai lembrar desses três. Enquanto isso, eu ganho umas visitinhas no meu blog graças ao Google. XD

P.S.: Sem piadas cretinas devido ao show ter sido no dia 24. Olha que eu acabei de escrever “deviado” sem querer na frase anterior.
P.P.S.: Se você AMAAAAAAAAAA Jonas Brothers e acha eles LINDOOOOOOOS eu respeito. Mas se quiser fazer barraco aqui, eu juro que conto tudo pra sua mãe.







MS is for Muito Surreal

Categorias: Desventuras, Drama gal 501 hits
06/01/2009 17:03 684 palavras comentar?

Eu gosto de ver o lado bonito, poético das coisas. E foi assim que minha viagem começou: foi um dos pôres do sol mais lindos que eu já vi, na viagem entre Bragança e São Paulo. Oh que jeito mágico de iniciar esta jornada, pensei, sonhadora. Eu ainda não perdi esse hábito cretino. Mas a realidade bateu à minha porta, dura como o último bolo que resolvi fazer (e que foi carinhosamente alcunhado de “torrada de chocolate”). Na verdade, foi culpa do ônibus da Viação Motta. Assim que entramos no ônibus onde ficaríamos pelas próximas 11 horas, meu irmão ligou pra minha mãe.

- Mãe, lembra quando você disse que já fazia essa viagem a mais de 20 anos?
- Lembro. Deve fazer mais ou menos isso.
- Pois então. O ônibus é o mesmo.

Sim, era um ônibus desse naipe. Tão velho quanto piadas de pontinho, e posso jurar que se o tivesse vasculhado, teria encontrado os pergaminhos do Mar Morto debaixo das poltronas. Dentro dele, os tipos mais variados que habitavam o MS, também conhecido por estado bovino. Tinha o tiozão fazendeiro, os malandros wannabe, os agroboys… E como não poderia faltar, tinha a tiazinha louca. O que seria da viagem sem ela? Tomamos conhecimento da sua existência antes mesmo do ônibus deixar o Terminal Rodoviário da Barra Funda. Estávamos sentados no fundo do ônibus e, vinda da frente, uma tia vem reclamando alto. Finge que tá dormindo que deve ser mulher pedindo as coisas, avisa o meu irmão. 2 segundos depois, dormíamos feito bebês. Ou aparentávamos dormir, pelo menos. Claro que a realidade pode ser muito pior. A tiazinha não estava pedindo nada, mas sim reclamando do ônibus. Foi ela entrar no banheiro pra soltar um bonito e sonoro:

- EEEEEEEEEEEEEEEEEEETA LASQUERA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Nessa hora, devo confessar, senti meu coração bater mais forte. Fazia mais de 4 anos que eu não voltava pro MS. A gente não escuta “eta lasquera” em São Paulo, isso é uma coisa típica que um sul-matogrossense diria. Obviamente não fica muito atraente depois de ouvir a tiazinha reclamar durante as 11 fucking horas de viagem. Porque o ônibus era velho, porque o banheiro não tinha luz, porque não tinha onde segurar, porque ninguém comia a bunda dela. Minto, a última frase é coisa da minha cabeça. Viu só? Ainda bem que a gente saiu do MS, senão a gente ia virar uns jecas feito esses aqui do ônibus, comenta o meu irmão. Sei não. Eu acho que você até pode sair do MS, mas o MS não sai nunca de você. Eu por exemplo ainda me emociono toda vez que ando de escada rolante, juro.

Talvez o mais curioso disso tudo é sentir que por mais que as coisas sejam ruins ou estranhas, você pertence àquele lugar. Logo que meu tio pegou a gente na rodoviária e pegamos a estrada de terra que levaria à fazenda, eu vi uma seriema debaixo de uma árvore. Coisas que só vemos no MS, claro. Pôres do sol estonteantes, o céu mais azul que eu já vi, o calor absurdo… E bois, muitos bois. Senão esse não seria o estado bovino, não?

Sei que meus planos incluem mudar pra lá depois que eu terminar a faculdade, mas eu sei que não preciso de pressa. As coisas vão continuar as mesmas, e eu sei que tudo por lá vai estar me esperando exatamente do jeito que eu deixei.

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