Diário de uma viciada – Parte II

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18/07/2008 03:15 800 palavras 53 comentários

Chutei o pau da barraca e comprei preto-azulado de uma vez. Tintura! Nada de xampu tonalizante, isso é coisa de covarde. E lá fui eu mais uma vez, fazer meleca no banheiro. Confesso que fiquei um pouco assustada quando vi todo aquele azul escorrendo enquanto eu lavava meus cabelos. E quando minhas unhas ficaram azuis. E quando tingi acidentalmente alguns pêlos do braço quando a tintura caiu neles. Mas toda a preocupação se evaporou quando eu me vi no espelho. Meus olhos pareciam verdes. Meu rosto estava mais pálido do que nunca. Eu estava me sentindo bonita como nunca. Nunca vou esquecer as palavras de minha mãe quando me viu morena pela primeira vez:
- Mortícia Addams! É mesmo você??

Não sei se vocês já repararam, mas é um pouco difícil achar tintura preto-azulada por aí. Eu usava uma marca um pouco “suspeita”, ou como diria uma tia, “tatu-com-cobra”. Foi ela mesma que reparou um dia que meu cabelo não era mais o mesmo.
- Mariana, você está ficando careca!
- Não tia, parece que é falha mas é só o contraste do preto com a minha pele branca.
Infelizmente não era. Eu estava REALMENTE ficando careca. Meu cabelo estava cheio de falhas, o que me obrigou a repartir o cabelo de forma diferente. Precisei parar de pintar durante um tempo, e tive que deixar o preto-azulado de lado. A raiz loira crescia e eu ficava em pânico. Eu odiava ser loira. Troquei o preto-azulado pelo preto de uma marca melhor, mas não parei de pintar.

Até os 22 anos, a tintura era religiosamente retocada a cada mês. Quando eu dizia que era loira, as pessoas simplesmente não acreditavam em mim. Como se ser loira fosse algum tipo de privilégio, há… “Suas sobrancelhas são pretas!”, elas diziam. “Eu tinjo as sobrancelhas também.”, eu retrucava. Convenhamos, o que a gente mais vê por aí são loiras de sobrancelhas pretas, se é que vocês me entendem. Foi no fim no ano passado que me decidi a não pintar mais o cabelo, visto que estava bastante detonado. Não sei se estava numa vibe saudosista, mas fato é que eu queria voltar à cor original. Desde então, tenho ouvido exclamações do tipo “Uau, você é mesmo loira!”. Puxa, você entendeu! Achei que fosse precisar explicar com laranjas.

Sim, sou eu. Aos 5 anos e sem tintura no cabelo.Hoje, aos 23 anos, tenho um cabelo metade preto e metade loiro. A metade loira é brilhante como um espelho, os fios são quase lisos, macios e muito resistentes. A metade preta é opaca e bizarramente mais crespa. Os fios parecem palha de aço, sem nenhum exagero. Não é todo mundo que tem a mesma sorte que eu, porque meu cabelo cresce que nem capim. Eu conheço casos de mulheres que ficaram carecas por abusarem do vício. Eu vejo todos os dias cabelos manchados, ressecados, quebrados… Isso tem de parar! Se você nunca pintou o cabelo, fica o aviso. E se você começou a pouco tempo, PARE! Ainda dá tempo. 10 anos de xampus tonalizantes e tinturas me ensinaram que nada vai superar a cor original, nunca. E que pintar é pedir pra merda acontecer.

Mas se for inevitável… Em primeiro lugar, escolha uma tintura de boa qualidade. Se não manja nada, então peça indicação à uma cabeleireira de confiança que seja colorista! Não pinte por conta própria, vá à um salão! E por último, mas não menos importante: hidratação a cada 15 dias. Não, não estou exagerando. O cabelo é a moldura do seu rosto, estragando ele você estraga tudo. Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Eu estou aqui, louca de ansiedade esperando meu cabelo crescer pra fazer novas merdas com ele. Ainda não me decidi se eu vou direto ao loiro biscate total ou começo fazendo umas luzes. Isso porque eu não via a cor original do meu cabelo a pelo menos 10 anos… A verdade é que nunca vamos ficar satisfeitas com nossa aparência, não importa o quanto tenhamos de sofrer pra isso.

Edit: 27/07/08 às 08:20h

Meninos e Meninas, visitantes desse bloguxo, bom dia!
Quem vos fala é a Rithynha. A Mariana pediu pra avisar que está sem acesso à internet, por isso do sumiço ok?
Suspendam às buscas, ela está bem, alimentada e dormindo bem mais que 8h/dia…kkk Beijosss







Diário de uma viciada – Parte I

Categorias: Desventuras, Drama gal, Mimimi 3,248 hits
17/07/2008 18:44 537 palavras 11 comentários

Começou de forma muito inocente. Eu devia ter uns 10 anos, era muito jovem e inexperiente. Foi na casa de uma amiga. Ela disse que tinha uma novidade. Outras meninas estavam lá, loucas pra experimentar a tal novidade. Quando ela me estendeu aquele rolinho de papel, eu sabia que não poderia mais voltar atrás.
- Vai fundo, Mariana! – foram as palavras dela.
E eu fui. Ah, eu fui… Peguei o rolinho, joguei na água fervente e observei a cor que dele se desprendia. Azul-marinho. Depois coei e fiquei um tempo com o cabelo imerso na água azul. Como que por mágica, meus cabelos loiros tinham desaparecido: agora eram azuis! Fiquei verdadeiramente maravilhada. Por pouco tempo. Duas lavagens depois e lá estava o loiro de volta. Eu queria mais. Eu precisava de mais! O papel crepom tinha sido só o começo do vício nefasto.

Aos 13 anos, minha mãe – vejam só, minha própria mãe! – achou que eu já tinha idade pra mudar de verdade. Não totalmente, claro. Fomos juntas ao supermercado (no caso, o Tocale de Puerto Suarez) e escolhemos juntas o xampu tonalizante da Wellaton na cor loiro mel. Só pra “ressaltar” a cor original, que digamos assim, é a mesma. Mamãe pintou pra mim, e eu quase morri de ansiedade enquanto esperava os 20 minutos pro xampu agir. Quando finalmente lavei o cabelo, fiquei frustrada. Não vi nenhuma mudança.

Um tempo longe do vício não fez com que a vontade de mudar diminuísse. Bem pelo contrário. Aos 15 anos, eu já tinha me decidido. Eu seria ruiva, ponto. Mais uma ida ao supermercado e o escolhido foi xampu tonalizante na cor cobre dourado. Dessa vez eu mesma pintei, fazendo aquela zona no banheiro. Lavei os cabelos e tcharam! Agora eu era ruiva! As meninas da escola adoraram. Elas me invejavam. As respectivas mães não deixavam que elas mexessem nos cabelos virgens. Eu ria… Ah, se eu soubesse! Do cobre dourado, foi só ladeira abaixo. Meu cabelo teve todos os tons de vermelho possíveis e imagináveis. Numa época, cheguei a ficar conhecida pela infame alcunha de chambinho. Eu não ligava. O vício já havia me dominado.

Foi em 2002, aos 17 anos, que deu-se a maior merda. Com a tintura vermelha desbotada e pelo menos uns 3 dedos de raiz loira, me decidi a fazer luzes. Agora eu tinha um cabelo de 3 cores, absurdamente ressecado e parecia saída de algum enlatado americano com baixíssimo orçamento. “Castanho, agora eu quero castanho”, pensei, mais uma vez decidida. Comprei tintura castanha e depois de pintar, fiquei mais uma vez maravilhada. Agora meu cabelo tinha todo a mesma cor! Mas havia algo mais: meus olhos saltaram, em contraste com o cabelo escuro. Pareciam mais claros do que de fato eram. Então passou pela minha cabecinha loira a idéia mais genial que eu poderia ter: se a tintura castanha tinha feito isso, o que será que a preta não faria?

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